Ventos que sopram sem rumo. Bolinando com quem está quieto. Trazendo desavenças as folhas que ainda agarram na esperança verde das árvores frondosas. Chegam de mansinho curtindo os braços de uma brisa qualquer. Sutilmente engarupado na velha aragem do lugar. Cogita o que não deveria e assombra a pouca paz para um canto onde não se há saída. São ventos poluídos pelos odores da maldade. Viciados na destruição. Chega chegando! Lotado em total insolência do acaso. Acobertado pela malícia. Se deliciando no couro de uma dança fortuita. Faz parte da tradição do velho burro que fugiu. Embaralhado na cor da noite sem luz. A inveja consome a energia dos fracos e testa a coragem dos bons. É um entregador de vidas ao fundo do poço de desejos duvidosos. Faz parte de uma linha sem fim e sem juízo. Pior que morrer é ser baleado pela inveja. Alvejado pelo dor de cotovelo de uma conversa qualquer. Ninguém consegue conter a voracidade de uma inveja encanada. Também, não se sabe até aonde isso vai parar. A copa pantaneira é uma taça sedutora contendo vários tipos de venenos. Temperados com boa dose de malícia é jogada aos quatros ventos da inveja. Nos braços da ilusão cria expectativa desnecessária e choros sem velas. É difícil entender as mudanças operacionais. Mas mesmo que doam nos cotovelos, que ficaram na janela, as mesmas, irão acontecer. Cuiabá deixou de ser simplesmente uma saudosa cidade de becos e vielas românticas para assumir o charme de grande metrópole. Vaga ao sabor do vento das novas opções que resolvam velhos problemas estruturais. Isso dói! Arranca as vísceras contaminadas de paixão e lança o vento da discórdia. Para uma região acostumada a assistir o bonde passar de longe numa miragem quase mágica ver a locomotiva soprar seu furor na própria camarinha dá um frio no pé e uma sustância maluca de ralar peito no mundo. Isso é danado para empenar o juízo da pessoa. Parir conversa antiga que antes fazia até boi dormir. O difícil não é enfrentar o infortúnio da mudança. Pior é conviver com o desvio de conduta. A inveja consome as atividades benéficas e patrocina encontros destrutivos. O crescimento é inevitável e carrega recursos nem sempre aconselhável. Afinal, o jogo só acaba após o apito do juiz. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado
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