O raio caiu duas vezes no mesmo lugar –e caiu ainda melhor. "O Agente Secreto" fez ainda melhor do que "Ainda Estou Aqui", levando dois Globos de Ouro para casa: melhor filme em língua não inglesa e melhor ator de drama para Wagner Moura.
Nenhum outro país estrangeiro teve desempenho semelhante em dois anos seguidos. Wagner arrasou no discurso ao resumir uma das lições do filme: "É sobre memória ou a falta dela. Se os traumas podem ser passados de uma geração a outra, os valores também podem".
E depois da atrapalhada entrega do Critics Choice, que lindo ver três atores brasileiros subirem ao palco da cerimônia.
A equipe da TNT e da HBO Max distribuiu para a equipe de "O Agente Secreto" a "Nanda da sorte" –santinhos com a foto de Fernanda Torres para dar uma ajudinha. Funcionou lindamente. Coisa mais linda ver Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura, Alice Carvalho, Gabriel Leone e a produtora Emilie Lesclaux juntos no palco de uma das festas mais importantes de Hollywood.
O prêmio para "O Agente Secreto" não veio sem certa surpresa. O norueguês "Valor Sentimental" concorria em oito categorias, enquanto o nosso estava na luta por três. Batemos a Noruega: levamos duas estatuetas para casa, e eles só levaram uma (de ator coadjuvante para Stellan Skarsgard).
Vou tentar não ser patriota, mas é impossível: enquanto o norueguês é um drama de família emocionante, mas clássico até a medula, "O Agente Secreto" é um sopro de novidade no cinema mundial, surpreendendo plateias do mundo todo. OK, sabemos que o Globo de Ouro é o prêmio mais favorável ao nosso filme.
Mas o principal agora é que o Globo de Ouro para Wagner Moura o relança na corrida para o Oscar. Na última semana, as previsões dos sites especializados nos EUA tinham tirado nosso cavalo do páreo.
Ele também não apareceu entre os indicados do Bafta britânico e do Sindicato dos Atores, o SAG. Agora, Wagner volta a ser considerado, já que a votação da Academia para o Oscar só abriu agora.
Não vamos ser modestos: Wagner bateu The Rock, Oscar Isaac, Michael B. Jordan, o cara do Urso, pessoas com carreira sólida e consolidada. Não é para qualquer um. Agora, Jesse Plemons ("Bugonia"), Joel Edgerton ("Sonhos de Trem") e Ethan Hawke ("Blue Moon") perdem força no Oscar –mas nunca se sabe o número de amigos que cada um tem em Hollywood.
É tanta euforia brasileira que não dá nem vontade de comentar os demais prêmios. Mas houve surpresa ao ver "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" ganhar como melhor filme de drama. "Pecadores", um dos melhores filmes do ano, saiu injustiçado com só dois prêmios: melhor conquista de bilheteria e trilha sonora.
Mas quem se importa. Nos últimos dois anos, o Brasil já é tricampeão, trazendo três Globos de Ouro pra casa. Se contarmos o Oscar de "Ainda Estou Aqui", podemos até falar em tetra. E sonhar com o penta no Oscar 2026 – que este ano não será durante o Carnaval, mas um mês depois dele. Haja coração!




