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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 26 de Junho de 2010, 15h:36

EXPOSIÇÃO

Galeria paulista recolhe a arte que nasce na rua

Igor Giannasi
Agência Estado
Acostumado a intervir nos subterrâneos e nas áreas degradadas da metrópole, o artista multimídia Zezão transpõe a sensação da arte de rua para a galeria Choque Cultural, desde o sábado (26), com a exposição "Vari Ações Urbanas". Obviamente esta não é a primeira vez que Zezão expõe seus trabalhos em um ambiente fechado - já participou de mostras coletivas na própria galeria de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, em outros locais, como o Masp, e inclusive no exterior. A diferença é que desta vez ele ocupa sozinho os três andares da galeria. "Estamos desafiando o artista para ver como ele se coloca num espaço de uma casa inteira", afirma Eduardo Saretta, curador da Choque Cultural. "Nosso espaço expositivo não é usual", completa. Ao todo, serão exibidos 20 trabalhos do artista, que na quarta-feira passada, a três dias da abertura, cuidava da montagem da exposição. "Toda hora fico mudando de ideia, de um dia para o outro minha cabeça já mudou, mas como tenho um deadline, tenho que executar", comentou Zezão. Conhecido pelos grafites de tags azuladas feitos em canais de esgoto e galerias pluviais de São Paulo, o artista apresenta pinturas, fotografias, painéis de madeira e videoinstalação, inspirados por suas andanças pela cidade e produzidas especialmente para a "Vari Ações Urbanas". "O nome da exposição surgiu de todas essas informações", diz ele. Os suportes para algumas das obras são pouco usuais, como o assoalho de alumínio de um ônibus, que serviu de base para uma pintura psicodélica. Há também telas com colagens de madeira e de papel, ironicamente envoltas por uma dourada moldura tradicional. O diálogo com o espaço urbano característico do trabalho de Zezão também está presente em uma videoinstalação, no subsolo da galeria. No vídeo, o artista registrou a água jorrando de um bueiro de uma rua da Mooca, na zona leste da capital, durante uma das enchentes ocorridas na cidade no início deste ano. "Tem tudo a ver com o meu trampo", comenta. A exposição é uma espécie de continuação do trabalho apresentado pelo artista na mostra "De dentro para fora/De fora para dentro", em cartaz no Masp (Museu de Arte de São Paulo) de novembro de 2009 a fevereiro passado, composta por ele e outros artistas identificados com a arte de rua e organizada em parceria com a Choque Cultural. Parte de um painel feito por Zezão que esteve no museu foi reaproveitado, assim como pedaços de madeira recolhidos das ruas também foram utilizados em peças. "Eu bato o olho em uma madeira e já vou tendo uma ideia", conta ele. "Sempre tento desenvolver um trabalho com esse feeling da rua."

Edição EDIÇÃO 16965




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