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ILUSTRADO
Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007, 21h:31

RESENHA

'Donas de Casa Desesperadas' é apenas cópia de seriado dos EUA

Patrícia Villalba
Agência Estado (SP)
Difícil ver na TV aberta, e fora da TV Globo, uma produção tão bem cuidada quanto a série "Donas de Casa Desesperadas", que a Rede TV! começou a levar ao ar na quarta-feira (15). Cenários caprichados, figurino de certa forma bem escolhido, cenas muito bem dirigidas. Pena que depois de tanta expectativa em torno da estréia, o programa se revele uma cópia muito além dos limites da simples inspiração. Cópia mesmo, como se de repente a teledramaturgia tivesse se transformado numa franquia de lanchonete - o sanduíche que você come nos Estados Unidos é o mesmo que você vai comer aqui, na Argentina ou na Colômbia. Como se toda a experiência brasileira em fazer televisão não fosse suficiente para se criar um seriado de TV moderno, de texto ágil e elegante. Uma parceria entre a Rede TV e a Disney e com alguns milhões de dólares no orçamento, "Donas de Casa Desesperadas" foi anunciada como uma "adaptação" da série americana "Desperate Housewives", talvez o maior sucesso da TV americana no gênero nos últimos tempos. A série ganhou espectadores fiéis em todo o mundo ao usar altas doses de humor negro para contar uma história de mistério envolvendo uma vizinhança aparentemente pacata e feliz, o bairro Wisteria Lane. Aqui, o nome do bairro mudou para Arvoredo. Mas, fora um ou outro detalhe, a produção brasileira manteve não só os roteiros, mas também os diálogos, o cenário, quase tudo. E o que mais surpreende é que as cenas não foram adaptadas em nada, mas, simplesmente, copiadas, filmadas igual ao original, sem tirar nem pôr. É como um jogo do sete erros: o chá que cai na xícara da versão brasileira é mais claro ou mais escuro do que o que pingou na xícara americana? O colar de diamantes de Gabriela (Franciely Freduzeski) é mais ou menos comprido que o de Gabrielle (Eva Longoria)? O jardineiro americano tem mais ou menos músculos que o da versão nacional? Essa nova TV que se assume, enfim, como linha de produção só deve mesmo querer servir a uma avalanche de comparações. Impossível ver Lucélia Santos como Suzana e não se lembrar da atuação incrível de Teri Hatcher como Susan. Mais difícil ainda ouvir a locução de Sônia Braga (que, como a suicidada Alice, é a narradora da trama) e não pensar que ela está lendo uma redação de escola. Em papéis de segunda mão, Sônia, Lucélia, Isadora Ribeiro, Teresa Seiblitz, Viétia Zangrandi e Franciely Freduzeski não terão grande chance de mostrar seus dotes. Correrão o sério risco de ficar sempre no vácuo do déjà vu, ainda que o ibope seja satisfatório - aceitação do público não apagará o fato de que a capacidade de criar das atrizes e da direção ficará reduzida, se a carruagem seguir como no primeiro episódio. Viétia, por exemplo, fez uma excelente Lígia, clone de Bree, a dona de casa padrão e psicótica do seriado americano. Mas, por mais que esteja bem no vídeo, a brasileira dificilmente vai apagar das mentes dos que assistiram ao original a atuação da americana Marcia Cross. Isadora Ribeiro apareceu pouco, mas já mostrou que está bem como Vera, mas não tão arrasadora, engraçada e maliciosa quanto Nicollette Sheridan como Edie. É a maldição antiga que persegue as refilmagens, ainda mais as que se arriscam a refazer, sem necessidade, originais tão bem-sucedidos.

Edição EDIÇÃO 16959




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