ILUSTRADO
Segunda-feira, 06 de Maio de 2013, 20h:47
A
A
ACADEMIA
Do lado à Fina Flor
Uma chuva fina caíra durante a noite umedecendo a terra coberta por uma verde e renovada vegetação. Eram os primeiros dias da primavera. As flores orvalhadas coloriam aquela manhã de sol acariciada por leve brisa. Os pássaros despertaram em incontida cantoria, quem sabe de louvação, pelo lindo dia que se iniciava. Do chão sentia-se o cheiro, talvez o gosto de terra molhada. Essa combinação de cor, sons e cores prometia um dia maravilhoso. De minha cadeira de balanço no alpendre da casa da administração, corria os olhos pela extensão do terreno tentando sorver, sentir, apreciar com gosto esse colorido matinal deslumbrante. No fundo, bem mais embaixo, corria o rio. Na margem oposta, algumas casas de pescadores e nas barrancas, canoas ancoradas. Quando lançadas ao rio serviam para a travessia de pessoas de uma margem à outra, ou para a atividade principal do lugarejo, a pesca. Subindo, das barrancas do rio em direção à casa, alguns quiosques de palhas serviam para abrigar os sócios do clube que aproveitavam o domingo para junto com os amigos e familiares assar um churrasco. Avançando um pouco mais o olhar para à direita, via-se um campo de futebol, quadras de vôlei e tênis. À esquerda duas grandes piscinas: uma para os adultos e outra para as crianças. Ao lado do restaurante do clube, um pequeno bosque onde se destacaram dois floridos ipês. Embaixo, à sombra das árvores brinquedos para a garotada. Os adultos aproveitam a proximidade das árvores para armar suas redes e assim embalar sua preguiça dominical. O final de semana era assim mesmo: lazer e descanso. De minha cadeira, perdia-me em imaginação e pensamentos, envolto num ar perfumado por um relaxante bálsamo floral da primavera. De olhos fechados respirava fundo e compassadamente, aproveitando do ar puro que me enchia os pulmões, irrigando meu cérebro. Por muito tempo assim fiquei refletindo como quem após a leitura da primeira página de um livro quisesse refletir sobre as palavras e imagens transmitida pelo autor. Após instante de contemplação, embalado aos sons da natureza transmitidos pelos pássaros, pelo vento ao embalar os galhos das árvores e pelo cheiro natural da estação primaveril, ouço outros sons. As pessoas começaram a chegar para desfrutar de um belo domingo de sol. Reabro os olhos e agora o antigo cenário tem mais vida. Vida humana, alegre e festiva que se harmoniza com a beleza natural do lugar. É como se eu tivesse virado a página de um livro imaginário que havia começado a folhear. Eram pessoas de todas as idades: crianças, adolescentes, jovens, pais, avós. Dava a sensação que, casualmente, marcaram um encontro para aquele dia, horário e local. Horário, aliás, que iria prolongar-se por todo o dia. Dia este e cenário que serviria de fundo para de desenvolver uma série de histórias extraídas da vida real das quais as personagens são agentes vivos dos acontecimentos. Portanto, o que você leitor vai conhecer daqui para frente, são fatos reais. Os personagens são fictícios, porém qualquer semelhança com fatos conhecidos não será mera coincidência. Acadêmico Antônio Soares Gomes - Cadeira 3