ILUSTRADO
Quarta-feira, 09 de Março de 2011, 20h:31
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CARNAVAL
Beija Flor na cabeça
Escola Beija Flor vence mais uma vez o carnaval carioca que, neste ano, foi cheio de emoções mesmo antes do desfile das escolas de samba
Valéria Del Cueto
Especial para o Diário de Cuiabá
Depois do fogo foram as águas de março, cantadas por Tom Jobim, que fizeram a história da folia em 2011. A São Clemente abriu o Grupo Especial declarando seu amor ao Rio numa linguagem bem carioca. Um dos carros formava um globo de guarda-chuvas com imagens turísticas da cidade. Elas deviam ter sido distribuídas para facilitar a vida do povo das arquibancadas! A Imperatriz Leopoldinense falava da saúde e do DNA do samba, mas não levantou a avenida. Tão pouco a Portela que passou apresentando uma das muitas baterias fantasiadas de militares, no caso a Marinha. A Unidos da Tijuca (Bope) e Mangueira (exército) seguiram a influência das Unidades Pacificadoras, as UPPs, na moda e no cotidiano das comunidades. Já a Mocidade com seus sátiros, e a Porto da Pedra e os fantasminhas de Maria Clara Machado, deram asas à imaginação. Havia alas dos Ratos e Urubus de Joãozinho Trinta em no mínimo duas escolas. Uma delas, São Clemente. Chegamos a Paulo Barros e suas franquias mundiais. Harry Potter, Indiana Jones, os Caça Fantasmas e Transformers fizeram da Tijuca um clichezão. O que fazia King Kong no enredo Rio no Cinema, do Salgueiro? Para esta pergunta há, sim, uma resposta: para acabar com a harmonia da escola e fazê-la perder pontos preciosos. O carro do gorila engasgou na curva ao entrar na Sapucaí. Foi dramático. Este enredo não começou no dia do desfile. Das escolas prejudicadas pelo incêndio na Cidade do Samba a mais bem resolvida foi a União da Ilha do Governador, comprovando a teoria de Darwin de que a vida é um mistério ao passar livre, leve e feliz. Ao contrário da Portela, que não conseguiu debelar a crise nem com a presença de portelenses ilustres, como Paulinho da Viola, nem com o arroz de festa Ronaldinho. Entrou água na travessia azul e branca. Água mesmo quem viu e sentiu foi a Grande Rio que pulou do caldeirão do fogo no barracão para o dilúvio. A chuva caiu forte do início ao fim do desfile. O enredo da Mocidade semeou a folia na Sapucaí, falando de festas originadas do calendário agrícola, entre elas, o próprio carnaval. Imaginem o valor desses sentimentos quando se fala da própria história, caso da Mangueira e de Nelson Cavaquinho exaltado com paradonas sensacionais da bateria e uma favela, já premiada com o Estandarte de Ouro, na Comissão de Frente. A Vila Isabel contou a história dos cabelos, com um belo samba conduzido pela bateria de mestre Átila, muitas perucas e a presença de Gisele Bündchen. As arquibancadas saudaram com rosas vermelhas o rei Roberto Carlos e seu milhão de amigos, enredo da Beija Flor. E foram todas as emoções. Dizem que venceu a escola que menos errou, ou seja, não houve uma escola aclamada e indubitavelmente superior às demais, o que fez da apuração, mais um momento de tirar o fôlego na história deste carnaval. BOX AS CINCO ESCOLAS MAIS BEM CLASSIFICADAS PELA ORDEM BEIJA FLOR UNIDOS DA TIJUCA MANGUEIRA VILA ISABEL SALGUEIRO