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ILUSTRADO
Terça-feira, 28 de Julho de 2015, 19h:42

CASA BARÃO

A eterna presença de Rubens de Mendonça

Encerramento das comemorações em torno do mais autêntico intelectual cuiabano tiveram a marca da emoção

JOÃO BOSQUO
Da Reportagem
O encerramento das comemorações do “Ano Centenário de Rubens de Mendonça”, na segunda-feira (27), volto a repetir, foi um encontro da autêntica cuiabania – de tchapa-e-cruz com os adotivos paus-rodados, na Casa Barão de Melgaço, sede da Academia Mato-grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, instituições às quais o relembrado pertenceu. Uma satisfação ver tantas cabeças brancas numa plateia – algumas disfarçadas pelos wellatons –, numa indisfarçável alegria de constatar que a memória é capaz de se sedimentar entre os cuiabanos. Antes de começar a falar de Rubens de Mendonça, vamos saber o que está data, significa para a família? A filha única, Adélia Maria Badre Mendonça de Deus, responde que “é muito significativa, pois além dele ter nascido em 27 de julho de 1915, nessa mesma data, em 1954, ele casa com minha mãe, Ivone Badre Mendonça, e em 1979, quando comemoram as bodas de pratas, eles me casaram. E num desses acasos do destino, em 27 de julho de 1978 eu me formei pela UFMT”. Num telegrama do amigo e também acadêmico Corsíndio Monteiro, que sabia do significado da data, além dos aniversários e que estava casando a filha, no qual dizia “Se não é festa de Senhor Divino, é dose pra leão”. Tudo isso a filha contou em sua fala aos convidados da grande noite. Adélia Maria disse que das propostas apresentadas no ano passado, quando do lançamento das comemorações do centenário, por conta das múltiplas faces do homenageado, foi destacada cada uma dessas vertentes. A primeira, em 24 de julho, quando do lançamento, a de jornalista, que foi comandada pelo acadêmico e jornalista José Cidalino Carrara que hoje ocupa a mesma cadeira. Na sequência foi a de historiador, sob o auspício da historiadora professora Elizabeth Madureira e de João Carlos Ferreira, presidente do IHGMT. Em 25 de fevereiro deste ano, foi destacado o sátiro pela professora e acadêmica, amiga da família, que conviveu com o Rubinho, como gosta de chamar, Marília Beatriz de Figueiredo Leite; em abril, aniversário de Adélia, foi mostrada a faceta de literato e de pai e, agora, no encerramento, com a contemporaneidade, também sob a batuta de Marília Beatriz e os Crônicos. Os Crônicos, nesta edição, compostos por Carlos Roberto Ferreira, Claudete Jaudy, Ivan Belém, Justino Astrevo, Luiz Carlos Ribeiro e Wagton Douglas. O encerramento ainda foi coroado com o lançamento da Revista do IHGMT, anunciada pelo presidente do Instituto, João Carlos Ferreira, cuja edição é toda dedicada a Rubens de Mendonça. Além disso, o presidente da AML, Eduardo Mahom apresentou o site RUBENSDEMENDONÇA.COM.BR, que pode ser acessado também por meio do hiperlink na página da Academia. Nesse site estão disponíveis algumas obras de Rubens de Mendonça – sendo a última a ser incluída a edição preparada pela Unemat da “História da Literatura Mato-grossense”, que será também editada no formato físico. Além das obras publicadas e as inéditas, num levantamento do acadêmico Paulo Pitaluga, biografia e fotos. A UFMT está editando também o livro inédito “Estórias do Mestre Marcelino”, que seria para este evento, mas a filha prefere fazer lançamento à parte para destacar a importância da obra. Ivens Cuiabano Scaff lembrou que neste ano de comemoração – dentro dessa política de revitalização por qual passa a Academia Mato-grossense de Letras – o centenário de Rubens acabou contribuindo com o grande número de eventos que acabaram acontecendo, quando foram abordados os vários aspectos do homenageado. O acadêmico Pedro Dorileo, ex-reitor da UFMT, disse que considera Rubens de Mendonça um dos expoentes da cultura regional. “Mato Grosso precisa ler, precisar cultivar a memória de Rubens de Mendonça”, defendeu. Já Paulo Pitaluga lembrou da amizade com o homenageado. “Foi ele quem despertou em mim o gosto pela História”, disse. O ex-governador, ex-prefeito de Cuiabá, Frederico Campos, hoje com 88 anos, contemporâneo de Rubens de Mendonça, e quando jovem conheceu Estevão de Mendonça, se diz suspeito para falar de Rubens pela grande amizade que cultivaram, mas diz que relembrar a memória do escritor é mais que justa. “Rubens foi um autodidata, inteligente e sua ideia era fácil para expor todos aqueles pensamentos, com bastante sátira e muito oportuno em vários momentos em quem ele dizia”. Frederico lembra que Cuiabá, em décadas passadas, vivia praticamente isolada do resto do país e – talvez por isso – “tinha homens notáveis na literatura, mas Rubens, além de escrever com muita facilidade, herdou do pai esse dom e foi um grande historiador”, afirma. Recordando, ano passado, quando do lançamento do centenário, Frederico Campos tornou público um poema, soneto, da lavra de Rubens de Mendonça. Nos 14 versos do poema, o poeta fala da chuva, que chove lá em Rosário, mas promove a enchente em Cuiabá e que, sem dúvida, nenhuma é responsabilidade do prefeito. Ao final arremata com chave de ouro: “É Frederico o único culpado”. Prova de seu eterno humor. Presentes na noite de homenagens os acadêmicos e acadêmicas Carrara, Marta Cocco, Cristina Campos, Lucinda Persona, Yasmin Nadaf; ainda o reitor da Unemat, João Carlos Maia e o vereador Allan Kardec.

Edição EDIÇÃO 16965




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