ILUSTRADO
Quarta-feira, 09 de Fevereiro de 2011, 20h:35
A
A
DESENHO
A arte de seu Argelino
A arte transformadora ou nova conforme o autor, é feita com um instrumento ordinário, caneta BIC, ou pincel popular contemporâneo
Claudio de Oliveira
Da Redação
Tem uma arte que você nunca viu igual!? Uma expressão dessa parece retórica ou excesso de promessa e pouca coisa há pior do que muita expectativa. Demoramos alguns meses para saciar a curiosidade sobre a tal arte original. Ao adentrar o escritório do senhor Argelino Mantovanelli, fica claro que há alguma coisa diferente ali. Talvez ele mesmo. A arte transformadora ou nova como ele a chama é feita com um instrumento ordinário, caneta BIC. Dizer que o desenho ou formas extraídas deste pincel popular contemporâneo é novo é desconhecer tantos e tantos artistas que vem explorando a mesma pena. Então o que há de novo ou transformador aqui. Seo Argelino, dotado de uma alegria contagiante e um jeito simples tenta explicar, a princípio sem sucesso, o que seria esta arte para o repórter. Não que o mesmo estivesse cético, é que o código estava escondido por isso não era perceptível. Que método? Que figura surgia? A partir do que? Perscrutando a tela, apalpava com as lentes fotográficas e nada. O projeto Cor e linhas, tem uma ideia transformadora. A arte a partir das regras que me impus é que me leva aos objetos a serem desenhados. A arte é o resultado desta transformação e é ao mesmo tempo surpreendente, começa a conversa Seo Argelino, mostrando um coelho azul e um protótipo de urso que na verdade não era um urso. Eu escrevo a mensagem e aos poucos seguindo esta regra sobreponho a mensagem, diz o artista. Por mais que meus olhos procurassem, não conseguia enxergar um só traço de letras. Passei a crer que se tratavam de hieróglifos ou coisa que o valha. Mantovanelli diz que é natural do Espírito Santo e que chegou em Cuiabá em 1973. Agrimensor de profissão, hoje aposentado dirige uma hospedaria próxima à Av. Mato Grosso. Argelino explica que não gosta de coisa já começada, eu gosto de coisa nova, de começar uma coisa nova. Eu já fiz tanta coisa... Deixei uma escada longa e se morresse hoje ou amanhã, tudo bem, morreria feliz. Depois disso me mostra uma série de cadernos usados que são como o seu Bê-a-Bá. Aí, cai a ficha e ele me mostra um texto filosófico reflexivo. Cada quadro parte de um texto que é escrito e transformado. Todos os textos são guardados como uma pedra de Roseta. Para ele a natureza está gritando por causa do comportamento humano. É uma reação. A Arte Nova ou Transformadora tem esse compromisso com o meio ambiente reaproveitando o que iria para o lixo. Imagine quantos cadernos e quantas crianças poderiam aprender a transformar seus escritos em arte? O projeto ensina coordenação motora e, claro, criatividade vislumbra o criador da técnica. Argelino ainda não expôs por falta de apoio institucional, mas calcula que tem hoje uns dez milhões de traços, o que é bem provável, pois há linhas em todas as direções e sobre os suportes mais diversos.