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ILUSTRADO
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009, 20h:01

DVDs

40 anos depois, Zé do Caixão ressurge

“Encarnação do Demônio”, “Rocknrolla – A Grande Roubada” e “As Leis da Família” são as novidades avaliadas nesta edição. Quando for às locadoras não se esqueça

Juarez Compertino
Especial para o Diário de Cuiabá
Zé do Caixão, um dos personagens mais populares do Brasil, está de volta. “Encarnação do Demônio” (Brasil, 2008/ Fox) põe ponto final na trilogia que o multimídia José Mojica Marins, seu criador, idealizou na década de 1960. A história do coveiro que deseja encontrar uma mulher para gerar o filho perfeito e, por meio dele, eternizar seu sangue na Terra teve início com “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, rodado em 1963/1964. O segundo título, “Esta Noite Encarnei no Teu Cadáver”, saiu do papel em 1966/1967. O terceiro, cujo roteiro nasceu naqueles tempos, foi, porém, engavetado por quatro décadas. Nesses 40 anos, enfrentando numerosas dificuldades para a realização da sua obra, Mojica testemunhou de perto nascimento, morte e ressurreição do cinema brazuca, sempre por fora do circuito. Um pária cujo único pecado foi, talvez, a ousadia de possuir uma visão. Mas, Mojica é brasileiro, e brasileiro não desiste nunca! Hoje, com o apoio de Paulo Sacramento e Dennison Ramalho, produtor/ montador e roteirista/ diretor assistente de “Encarnação do Demônio”, respectivamente, e reforço de capital financeiro de empresas internacionais, o mestre do terror nacional retoma o desfecho de sua trilogia em uma produção A, digna de sua envergadura e que lhe faz justiça. Bonita, caprichada, detalhista e sem muitas concessões. O tempo não domesticou o criador ou a criatura. José Mojica Marins e “Encarnação do Demônio” quebram a estrutura do gênero terror do mesmo modo como chocou as platéias nos anos 60 (as cenas com baratas, aranhas e ratos reais continuam no script, somadas com alguns truques digitais, em cenas de torturas de fazer a série “Jogos Mortais” parecer uma gincana pueril). Um bom artifício é utilizado para justificar a passagem do tempo em que o filme ficou na geladeira. Nesses 40 anos, o coveiro Josefel Zanatas ficou prezo em um manicômio e, em seguida, em uma cadeia, o que parece ter lhe feito bem. Ao menos do ponto de vista do pavor que emana de suas teorias e ações. Sua mente está ainda mais forte e insana. Tudo tem inicio com a libertação dele, determinada por uma juíza (Cristina Aché). O guarda, seu Américo (Luis Mello) conduz Zé da cela à liberdade. Auxiliado pelo fiel escudeiro Bruno (Rui Resende), Zé sai às ruas e, ainda na calçada do prédio, quase é atropelado pela viatura em que está o corrupto capitão da polícia Oswaldo Pontes (Adriano Stuart), irmão do coronel Claudiomiro (Jece Valadão em sua última interpretação, uma das mais inspiradas), que Zé deixou cego de uma das vistas. O protagonista esconde-se de seus algozes em uma favela. O covil, entulhado de caveiras, caixões e instrumentos de tortura dignos de franquias de ponta do gênero fica escondido na mata ao lado de uma floresta. É nele que suas vítimas são sacrificadas e as mulheres que seus escravos capturam – para gerar o tal filho e perpetuar seu sangue na Terra -, mantidas presas. Com edição dinâmica, o filme tem um quê extremamente brasileiro, o que fica patente nas críticas sociais e nos ritos de macumba. O delírio de Zé quando vai ao purgatório, guiado por um anjo (José Celso Martinez Correa) é tão original e terrível quanto o inferno gelado que ele visitou no capítulo anterior (os efeitos especiais são de primeira, ótimos). Outro detalhe curioso é o livro de São Cipriano que, em uma das cenas, aparece na mão do padre Eugênio (Milhem Cortaz), que busca vingança pela morte do pai. “Encarnação do Demônio” é um filme de terror que reencontra seu propósito. Os fãs vão curtir! Incluído nos muitos extras do disco digital, o making of oficial do filme merece ser visto.

Edição EDIÇÃO 16959




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