ESPORTES
Terça-feira, 27 de Julho de 2010, 19h:07
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PALMEIRAS
Torcedores ajudaram a contratar Valdivia
Clube paulista só conseguir dinheiro necessário para a contratação, R$ 13,6 milhões, graças à ajuda de vários torcedores
BRUNO WINCKLER
Da Agência Estado São Paulo
O sonho do Palmeiras de ter Valdivia só pôde ser viabilizado pela direção do clube por causa da dedicação de alguns apaixonados torcedores. Palmeirenses com condições de aplicar parte de seus rendimentos na construção de um time forte arrecadaram uma boa fatia dos R$ 13,6 milhões usados pelo clube para tirar o meia chileno do Al-Ain. O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, reconhece que todo o esforço para contratar Valdivia não seria possível sem a entrada do dinheiro do grupo "Eternos Palestrinos", do empresário Osório Furlan - palmeirense que adquiriu parte dos direitos econômicos do jogador - e das receitas de marketing do clube. "Conseguimos contratar o Valdivia muito por conta da competência do nosso departamento de marketing. Nossas receitas subiram muito nos últimos anos. Com os 'Eternos Palestrinos' tivemos uma ajuda muito boa e, além disso, tivemos um grande investidor, um grande palmeirense, o Osório Furlan, que participou com uma quantia substancial e adquiriu uma porcentagem do passe do Valdivia", disse Belluzzo, ao explicar ontem como o negócio foi fechado na noite de segunda. O "Eternos Palestrinos", que arrecadou R$ 2,2 milhões usados na negociação de Valdivia, é um grupo que se autodenomina como "a união de apaixonados pelo futebol do Palmeiras", de acordo com um dos líderes do movimento que prefere não se identificar. Fundado em 2007 com o propósito de ajudar o Palmeiras por meio da compra de títulos vitalícios de sócios remidos do clube - que custam em média R$ 15 mil para um chefe de família e seus descendentes -, o grupo passou neste ano a arrecadar fundos para viabilizar grandes contratações. O movimento tem cerca de 400 membros e entrou na negociação de Valdivia através de cotas. Cada uma custou R$ 25 mil. Sessenta membros do grupo compraram 88 cotas. Alguns compraram mais de uma. Como recompensa, cada cota virará uma placa na futura Arena Palestra Itália. O torcedor poderá eternizar seu nome ou de um familiar na futura sala de troféus do estádio. Como o grupo não tem interesses de lucrar com futebol, o dinheiro arrecadado pelo "Eternos Palestrinos" que foi emprestado ao Palmeiras deverá ser devolvido em 36 meses reajustado somente com o valor do CDI, uma espécie de juros. O acordo entre o grupo e a direção do clube prevê que 30% do valor que o Palmeiras receber pela venda de um jogador deve ser usado para amortizar a dívida. "Não entramos para lucrar, ter retorno. O que queremos é colaborar em montar um Palmeiras forte", disse um membro do grupo. Osório Furlan, diferentemente do "Eternos Palestrinos", investiu no chileno. Caso Valdivia seja vendido no futuro, ele terá uma porcentagem do valor da negociação. O investidor palmeirense é executivo da Sadia e irmão de Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do Desenvolvimento. Ontem, no meio da euforia pela chegada do reforço, as mensagens nos fóruns de torcedores palmeirenses eram de agradecimento aos esforços tanto de Osório Furlan como dos integrantes do "Eternos Palestrinos" por ajudar o Palmeiras a ter Valdivia de volta.