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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009, 00h:12

PALMEIRAS

Sequência ruim deixa ambiente pesado

Comissão técnica passa a exigir mais dos jogadores e Love garante que não está provocando ciumeira no grupo por causa de salários

BRUNO DEIRO
Da Agência Estado – São Paulo
Apenas um ponto conquistado em 12 disputados, sendo três derrotas seguidas com nenhum gol a favor e sete contra. Os números incontestáveis da queda de rendimento do Palmeiras traduziram-se em um clima pesado no treino de ontem à tarde, na Academia de Futebol. Até o rachão, atividade normalmente amena, ganhou um ar sisudo. O momento de instabilidade do líder no Campeonato Brasileiro não inspira lá muitos sorrisos entre os palmeirenses. No treino com bola realizado ontem, realizados apenas pelos reservas, nada das tradicionais brincadeiras: em dado momento, houve até discussão por conta de um simples lateral. Entre os titulares, que fizeram apenas um trabalho de recuperação após a derrota para o Santo André na noite de quarta, só o atacante Vágner Love conversou com a imprensa. O técnico Muricy Ramalho, calado na maior parte do treino, abriu a boca apenas para soltar um comentário sarcástico, ao ver o jogador rodeado por jornalistas. "Quero ver se quando ganhar vai estar todo esse bando aí..." Vágner Love deu entrevista para negar o boato de que estaria criando ciúme no grupo, por causa do alto salário. "Quando a gente estava ganhando, tudo estava às mil maravilhas", disse o atacante. "Não estou ganhando tanto... Até abri mão de dinheiro para vir para cá." Ao comentar a queda acentuada nas atuações recentes do líder, porém, a autocrítica foi pouco convincente. "Contra o Santo André (derrota por 2 a 0), jogamos melhor e tivemos chances claras", afirmou Vágner Love. "Não tem o que falar, temos de mostrar dentro de campo. Estão querendo colocar coisas para desestabilizar a gente." A diretoria do Palmeiras reconheceu o momento ruim do time, mas também apontou uma tentativa de "conspiração". De acordo com o vice-presidente de futebol do clube, Gilberto Cipullo, têm sido espalhados rumores para estragar o bom convívio que, segundo ele, o grupo palmeirense mantém. "O ambiente é excelente, mas há comentários de quem não sabe o que acontece aqui que vêm para tumultuar", disse Cipullo, que foi ao treino desta quinta-feira. "Temos de dar tranquilidade para os jogadores trabalharem, é um grupo muito bom. Não temos problemas extracampo." O dirigente manteve o discurso de que só o título interessa. "Apesar dos tropeços, ainda somos os líderes", lembrou Cipullo. "Todo o andamento, como a contratação de um treinador de ponta, tem o objetivo de ganhar (o campeonato). A vaga na Libertadores é decorrência." Os primeiros questionamentos ao trabalho do treinador incomodam a diretoria. "Temos plena confiança nele (Muricy Ramalho). Sabemos que vai achar soluções para os problemas de lesões frequentes que estamos vivendo", afirmou o gerente de futebol do clube, Toninho Cecílio. Após a derrota em Santo André, parte da torcida do Palmeiras presente ao Estádio Bruno José Daniel gritou o nome do interino Jorginho, que teve bom aproveitamento em sua breve passagem como técnico, até a chegada de Muricy. "Não vejo justificativa para aquela reação", disse Cipullo. "O momento é ruim e um pouco de ansiedade tem atrapalhado."

Edição EDIÇÃO 16959




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