ESPORTES
Segunda-feira, 28 de Julho de 2008, 21h:24
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Pequim ainda luta para reduzir poluição do ar
CLÁUDIA TREVISAN
Da Agência Estado Pequim, China
As medidas radicais adotadas por Pequim desde o dia 20 de julho não foram suficientes para reduzir a poluição na cidade a patamares aceitáveis. Metade dos oito dias entre 20 e 27 de julho registraram concentração de partículas no ar em um grau que tem o potencial de afetar de maneira severa pessoas com doenças respiratórias e dificultar a respiração para as demais. Na tentativa de melhorar a qualidade do ar, a capital chinesa adotou a partir do dia 20 de julho o rodízio que alterna placas com final par e ímpar e tira das ruas metade dos 3,3 milhões de carros a cada dia. Além disso, centenas de obras em construção foram interrompidas, 150 fábricas tiveram que suspender atividades e outras receberam ordens de reduzir suas emissões em 30%. O primeiro dia foi um sucesso e o índice de poluição caiu para 55. A partir daí, subiu para 65, 67 e 89, todos abaixo de 101, o limite até o qual a qualidade do ar é considerada boa. No dia 24 de julho, o indicador ultrapassou a barreira de 101 e atingiu 113. Caiu para 109 no dia seguinte e chegou ao pico de 118 no último sábado, quando Pequim aparecia como a terceira cidade com maior grau de poluição do país, depois de Jinan e Taian. O índice cedeu para 113 no domingo, mas continuou acima do patamar considerado aceitável e manteve a China no terceiro lugar no ranking de má qualidade do ar. Ontem, Pequim amanheceu encoberta em uma névoa densa, que impedia a visualização até de edifícios próximos. A 11 dias do início da Olimpíada, a redução da poluição é um dos principais desafios diante do governo chinês. O Comitê Olímpico Internacional (COI) já avisou que vai cancelar provas de resistência ao ar livre se a qualidade do ar não estiver adequada no dia da competição, o que seria um vexame para o país No domingo, o engenheiro Li Xin, do departamento de proteção ambiental de Pequim, afirmou que o governo adotará medidas adicionais na hipótese de a poluição não ceder até a Olimpíada. "Nós vamos implantar um plano emergencial com antecedência de 48 horas, caso a qualidade do ar se deteriore durante no período dos Jogos, de 8 a 24 de agosto", disse, sem dar detalhes do tipo de medidas que podem ser implantadas. O combate à poluição tem sido prejudicado pelas condições meteorológicas, com calor, alta umidade e pouco vento, o que dificulta a dispersão de partículas. Em entrevista coletiva no sábado, o vice-diretor do departamento de proteção ambiental de Pequim, Du Shaozhong, afirmou que a umidade contribuiu para os dias cinzentos dos últimos dias.