O treinador da África do Sul abre o treino e avisa que não está preocupado com a classificação, mas sim terminar em grande estilo
O técnico Carlos Alberto Parreira nunca venceu a seleção da França em uma Copa do Mundo. Nem quando dirigiu a seleção do Kuwait, nem como treinador da Arábia Saudita. Em 2006, foi eliminado pelos franceses quando treinava o Brasil. Agora, terá de vencê-los, acumular um bom saldo de gols e torcer para uma combinação de resultados no jogo entre Uruguai e México para permitir que a África do Sul se classifique às oitavas de final. Diante do desafio, o brasileiro já mudou de discurso: sua meta não é mais classificar a equipe para a próxima fase. "Nunca tivemos a obrigação de nos classificar. Quero terminar com estilo e deixar uma boa imagem", disse. Para ele, mesmo a primeira eliminação de um seleção anfitriã na primeira fase "não pode ser considerado como um fracasso". Ontem, Parreira conversou com o Estado à beira do campo, enquanto seus jogadores treinavam. Ele optou por abrir o treino a torcedores e imprensa, em mais um sinal de que não acredita que ensaiar uma nova jogada ou criar uma nova estratégia vá dar resultado nesse ponto. "Acho que nunca na história da Fifa vimos um apoio à seleção da casa pela população como a que presenciei, mesmo na situação em que nos encontramos. No Brasil, tanto como treinador de clube ou seleção, a realidade seria bem diferente", disse. Apenas parava a conversa para distribuir autógrafos, pousar para fotos com torcedores e decidiu abrir o treino inteiro para a imprensa e para o pequeno público que foi dar uma força ao time. Mas dá a entender que sua missão está encerrada e que jogou a toalha. "A meta é deixar uma boa imagem. Eu nunca disse que tínhamos uma obrigação de nos classificar", afirmou. O técnico admitiu estar "tranquilo" em relação ao trabalho que realizou, mesmo que passe para a história como o treinador da primeira seleção anfitriã de uma Copa a ser eliminada na primeira fase. Parreira revelou que já foi convidado para treinar duas seleções estrangeiras e dois clubes depois da Copa. Mas garante que vai tirar seis meses de férias no Brasil para descansar da pressão dos últimos meses de trabalho na África do Sul. "Foi uma das melhores experiências da minha vida profissional. Houve um reconhecimento público do trabalho. Mesmo com a derrota para o Uruguai e a situação em que estamos, as pessoas não deixaram de mostrar carinho. Quando saio na rua, sou cercado por pessoas. Os sul-africanos entenderam que estamos em um grupo muito duro", disse. "Mas não é mole trabalhar por oito meses preparando o time anfitrião de uma Copa. Recebi convites para dirigir duas seleções e dois clubes. Mas vou tirar seis meses para descansar", relatou.