O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, afirmou que a sua maior preocupação com o Marrocos, o primeiro adversário do Brasil na Copa do Mundo , é o nível da defesa da equipe africana. Os países se enfrentam em 13 de junho em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
"O Marrocos é uma das equipes mais importantes da África e é muito sólida a nível defensivo. Marcar não é tão fácil. Tem que jogar bem na frente", disse no episódio de estreia de uma série de entrevistas conduzida por Paulo Roberto Falcão, que atuou nas Copas de 1982 e 1986 e treinou a seleção brasileira em 1990.
A entrevista com Ancelotti foi gravada em 19 de maio, no dia seguinte à convocação, e publicada no canal Duda Garbi do YouTube nesta quarta-feira (3).
O técnico italiano contrapôs a qualidade defensiva do Marrocos à força física da seleção da Escócia, que o Brasil enfrenta na terceira partida da fase de grupos, e afirmou que não acredita que as equipes que participarão da Copa do Mundo promoverão mudanças táticas significativas durante o torneio.
O esquema tático da seleção brasileira, de acordo com Ancelotti, permanecerá o 4-4-2, com uma dupla de volantes, pontas fortes no confronto individual e jogadores rápidos na transição.
O treinador italiano também apostou em um cenário de poucas mudanças em relação aos principais adversários do Brasil no Mundial. Em sua avaliação, França, Argentina, Portugal, Alemanha e Inglaterra continuam como as maiores ameaças à seleção brasileira. "É sempre o mesmo. Não creio que vamos ter surpresas", disse.
Questionado sobre a escalação de Neymar, Ancelotti reconheceu ter sentido um forte clamor em favor do atacante do Santos —"por todos os lados, em estádios, aeroportos, restaurantes". "É normal", disse em tom bem-humorado. "Assim você pode entender como o futebol é importante neste país."
O técnico defendeu que a convocação de Neymar se deveu ao desempenho do jogador em campo, não à pressão que sofreu. A decisão de levá-lo ao Mundial na América do Norte, afirmou, aconteceu "no momento em que ele começou a jogar com continuidade no Campeonato Brasileiro". "Acho que, sobretudo, depois de março e abril, ele jogou em um bom nível."
Ancelotti também negou que tenha havido contato com Neymar antes da convocação da seleção. "Como eu disse, ele mostrou boa atitude e melhoria no último período e, por isso, eu o chamei", disse. "É um jogador que tem talento, qualidade e experiência e pode ajudar, obviamente, a equipe."
Na entrevista, Falcão lembrou o período em que foi companheiro de equipe de Ancelotti na Roma, nos anos 1980, e mencionou as superstições do atual técnico da seleção antes das partidas. "Você vinha no meu quarto e dizia: 'Paulo, amanhã tenho que fazer gol'".
"Sou supersticioso", respondeu. "Quando você tem 20 anos, fica um pouco nervoso antes do jogo porque quer fazê-lo bem. Um pouco de ansiedade é bastante normal, mas com mais experiência é muito diferente."
A experiência adquirida nas décadas seguintes, Ancelotti apontou na entrevista, transformou o seu estilo como treinador. "Sou tranquilo porque esse é o meu caráter, mas há momentos em que você tem que explicar claramente onde está o problema."
Perguntado sobre o tipo de jogador que cria mais dificuldades ao seu trabalho, o técnico não teve dúvidas ao responder: o preguiçoso. "O jogador preguiçoso não tem que jogar —[tem que ficar no] banco. Para mim, o jogador preguiçoso, que não trabalha bem, não pode jogar futebol."
Esse, no entanto, não deve ser um problema na Copa —a seleção convocada não tem jogadores preguiçosos, disse.
A estreia de Ancelotti à frente da seleção na Copa do Mundo se aproxima, e o treinador italiano busca se mostrar à vontade com o que pode ser o maior desafio da sua carreira. Ouvir o hino brasileiro antes da primeira partida do Mundial será especial, ele disse, "mas não quero arruinar esse momento colocando muita pressão em mim. Vou preparar bem a equipe e vamos tentar ganhar o jogo, mas quero aproveitar esse momento único".
"Estou muito honrado de estar aqui, levando em conta que tem um país atrás dessa seleção. Quero fazer o melhor para dar alegria a todo o povo."




