Gabriel Medina começou 2026 de forma muito mais leve do que em 2025, ano em que lesionou o ombro no dia 9 de janeiro e não pôde competir em nenhuma etapa da WSL, o circuito mundial de surfe.
O brasileiro teve tempo para retomar o ritmo. A atual temporada começa na quarta-feira (1º), uma novidade do calendário. A abertura costumava ser entre o final de fevereiro e o início de março. Em Bells Beach, na Austrália, onde será disputada a primeira etapa, o surfista de 32 anos começa a busca pelo tetracampeonato.
— Eu gosto de fazer tudo na minha vida passo a passo, mas eu acredito (no tetra). É por isso que eu voltei para o circuito. Se eu não tivesse essa vontade eu nem voltaria. Mas eu me sinto bem competindo, é o que faz sentindo pra mim, é o meu propósito. Seria irado ser quatro vezes campeão mundial, seria além do meu sonho. Sempre quis ser três. Mas você alcança um objetivo e tem de criar outro — afirmou em coletiva de imprensa.
Apenas dois surfistas têm quatro ou mais títulos do circuito masculino. O australiano Mark Richards é tetra, e a lenda estadunidense Kelly Slater tem 11. Medina venceu as edições de 2014, 2018 e 2021. Nas duas primeiras, a liga era disputada em pontos corridos do início ao fim, formato retorna neste ano.
De 2021, ano do último título do paulista, a 2025, o ranking servia para classificar cinco surfistas para o Finals, etapa derradeira na qual o vencedor da temporada saía de um mata-mata.
— O Finals foi uma experiência legal. É que não deu nada de errado, mas poderia alguém ficar doente, não estar 100%. Justo no dia de definir o que você fez no ano, acaba não sendo tão justo. Sou a favor do novo formato, decidido em Pipeline — opina o tricampeão.
Em uma temporada cheia de novidades, o surfista paulista traz sua própria dose de renovação. Decidiu, após anos sendo treinado pelo australiano Andy King, firmar parceria com um técnico de casa.
Agora, sua preparação está a cargo de Adriano Souza, o Mineirinho, um dos expoentes da Brazilian Storm e segundo brasileiro a vencer o circuito, em 2015, logo depois de Medina.
— Ele se mostrou disposto a me ajudar. A gente teve uma troca e começou a trabalhar mesmo agora no começo do ano. Voltei à minha rotina, a gente teve mais comunicação. É um cara que me entende. Eu tinha meu treinador australiano. Na comunicação, consigo me expressar melhor falando minha língua, ainda mais com o Mineiro— disse o surfista.
Como se deu o retorno
Recuperado da lesão desde o meio do ano passado, ele pretendia ter voltado a competir na etapa de Teahupo'o, no Taiti, em agosto. Como estava sem ranking e a temporada já estava no fim, dependia de um wild card, convite que a organização costuma ceder em casos especiais, mas a oportunidade não veio porque as vagas já estavam preenchidas.
Dessa forma, teve de manter o ritmo apenas com treinamentos, enquanto aproveitava o tempo sem competir para dar mais atenção aos amigos e à família.
— Tive todos os cuidados, me alimentei super bem, dormi bem, me recuperei super bem, rápido. Isso me motiva ainda mais e me mantém fazendo as coisas que estou fazendo — afirmou o medalhista olímpico de bronze em 2024 em Paris.




