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ESPORTES
Quarta-feira, 16 de Junho de 2010, 21h:21

ADEUS, SONHO

CBF confirma a exclusão do Morumbi

O estádio do São Paulo está oficialmente descartado para a Copa do Mundo de 2014. Diretoria tricolor não cumpriu as exigências

SÍLVIO BARSETTI
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
A Fifa anunciou ontem a exclusão do estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, da Copa do Mundo de 2014. O jornal O Estado de S. Paulo havia antecipado a informação na edição de 13 de abril deste ano. A entidade máxima do futebol detectara havia alguns meses que o Comitê Paulista não daria as garantias financeiras para as obras de reforma do Morumbi - estavam avaliadas em maio em R$ 630 milhões. Além disso, o Comitê Organizador do Mundial (COL), presidido por Ricardo Teixeira, que também dirige a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), considerou que o comitê responsável pela sede da cidade de São Paulo estava ignorando com frequência as exigências da Fifa para a adequação do Morumbi. Por mais de uma vez em sua sala, na sede da CBF, no Rio de Janeiro, Teixeira disse que não deixaria ocorrer com o Morumbi o mesmo que se passou com o Engenhão, na capital fluminense, quando da preparação para o Pan-Americano de 2007 - houve atraso no cronograma e dinheiro público teve de ser injetado de última hora para a conclusão das obras. "Não vou deixar que me encurralem na linha de escanteio; tenho de me livrar da marcação do adversário antes", disse Teixeira, num encontro com a reportagem em abril. No mesmo dia, ele usou outra figura de linguagem para falar sobre a situação do estádio do São Paulo. "O Morumbi, para receber o jogo inaugural de Copa do Mundo, está na mesma situação de um paciente que tem de ser aberto dos pés à cabeça para que haja remoção de baço, fígado, rins, pulmões e coração. Os projetos lá não andam e o tempo está ficando escasso". Com a decisão da Fifa, a cidade de São Paulo está no momento sem estádio para o Mundial de 2014. Mas a cúpula da entidade e Ricardo Teixeira demonstram total confiança de que o Comitê Paulista, a prefeitura e o governo do Estado vão encontrar uma solução rapidamente, a fim de incluir São Paulo entre as cinco ou seis sedes da Copa das Confederações de 2013. Teixeira se negou ontem a falar sobre o Plano B - que agora virou Plano A - da sede. Tudo leva a crer que uma nova arena será erguida em Pirituba, para um mínimo de 65 mil espectadores. Esse projeto já teria de imediato uma linha de financiamento do BNDES de R$ 400 milhões. A obra, como um todo, deve chegar a pouco mais R$ 700 milhões. O ministro do Esporte, Orlando Silva, que está em Johannesburgo, afirmou à Agência Estado que esse complemento não sairá da União "A ordem expressa do presidente Lula é de que não haja gastos de recursos federais referentes a reformas ou construção de estádios". A decisão da Fifa e do COL de anunciar a saída do Morumbi da Copa de 2014 foi motivada pelo não cumprimento do prazo dado ao Comitê Paulista de apresentar até a última segunda a viabilidade financeira do projeto aprovado em 14 de maio pelo COL - o de R$ 630 milhões, que permitiria ao Morumbi receber um jogo da semifinal da Copa. Naquela oportunidade, o Comitê Organizador do Mundial impôs a condição de que essas garantias teriam de ser detalhadas e enviadas à Fifa em 30 dias. O Comitê Paulista cumpriu o prazo, mas entregou outro projeto. Isso precipitou a exclusão do Morumbi.

Edição EDIÇÃO 16959




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