ESPORTES
Quarta-feira, 16 de Junho de 2010, 21h:19
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NA ÁFRICA DO SUL
Buffon deve ficar fora do resto da Copa
O experiente goleiro italiano está com uma hérnia de disco e os médicos acham muito difícil ter condições de jogar a competição
DANIEL AKSTEIN BATISTA
Da Agência Estado - Centuriun, África do Sul
A Itália perdeu um dos seus principais jogadores. O goleiro Gianluigi Buffon, de 32 anos, dificilmente voltará a atuar na Copa do Mundo. Exames realizados ontem apontaram uma pequena hérnia de disco e o reserva Marchetti assume a posição de titular já no jogo contra a Nova Zelândia, no próximo domingo, em Nelspruit. Buffon está em seu terceiro Mundial e ainda sonha com o segundo título consecutivo. Mesmo que ele não entre mais em campo, a comissão técnica optou pela permanência do goleiro no grupo. Na estreia da seleção na última segunda (1 a 1 com o Paraguai), ele deixou a equipe no intervalo, com dores nas costas. Segundo informações do jornal italiano Gazzetta dello Sport, o atleta lida com este problema há mais de dois anos, mas nunca pensou em realizar cirurgia. Ontem, ele passou por uma ressonância que apontou a gravidade da lesão. Não há previsão para uma volta e provavelmente a Copa chegou ao fim para o atleta da Juventus. "As chances de recuperação são mínimas", contou o médico da seleção italiana, Enrico Castellacci. "Mas vamos tentar recuperá-lo a tempo." Companheiro de Juventus, o zagueiro Chiellini lamentou a lesão do amigo. "É muito chato perder um jogador. Se for por poucos dias, menos mal", disse ainda antes do resultado dos exames. "Ele tem muito valor para a seleção". O meia Pirlo é o outro atleta machucado da equipe. A comissão trabalha para que ele já consiga atuar no domingo - mas contam mesmo com ele para o jogo final da primeira fase, contra a Eslováquia, no dia 24. INTERESSE CAIU - O prestígio de uma seleção é muitas vezes notado com o número de jornalistas que o acompanham. Quanto melhor o time, mais gente está perto dele, costuma ser a matemática. É só ver os casos de Argentina e Brasil nesta Copa do Mundo: câmeras por todos os lados dia após dia, fotógrafos lutando pelo melhor espaço, repórteres tentando fazer uma única pergunta aos jogadores. A lógica, porém, tem uma falha. Ou isso ou a Itália anda um pouco esquecida na África do Sul. Quando chegou ao país, na semana passada, a seleção causou frisson. Afinal, eram os atuais campeões do mundo que estavam no pedaço - e aí todos foram atrás deles. O primeiro treino, em Centuriun, contou com jornalistas de todo o globo. Nos últimos dias, porém, o número de interessados caiu - e muito. Um desavisado que visse o trabalho dos italianos nesta quarta poderia achar que estava num treino da Austrália ou Estados Unidos, por exemplo. Enfim, seleções sem expressão no futebol. Na beira do gramado, 11 fotógrafos empunhavam suas poderosas máquinas e 13 câmeras de televisão filmavam a movimentação dos jogadores. Comparando, é quase como um treino diário de Corinthians, Palmeiras ou São Paulo. TRÊS CASAS - A Itália tem dado uma lição de como tratar as pessoas. Na África, escolheu três locais para si: um para acomodação da delegação, outro para treino e mais um, e esse sim espetacular, para receber a imprensa e convidados. Chamada de Casa Azzurri, o lugar serve como sala de imprensa - os jogadores e técnico sempre dão entrevistas lá - e conta com serviços de bar e entretenimento: piano, shows, mesas de pebolim, comida e bebida à vontade e várias tevês de LCD. Sem contar as belas e simpáticas recepcionistas. Ontem, havia mais convidados na Casa Azzurri do que jornalistas - uma outra diferença em relação a Brasil e Argentina, que se escondem e evitam qualquer badalação, mesmo que não envolva jogadores. Na sala de entrevistas, que ultimamente não tem lotado, menos de 40 repórteres (apenas oito de outros países) buscavam alguma informação sobre a lesão de Buffon e outras notícias mais. No outro salão, a poucos metros de distância, o restaurante já estava cheio de italianos que tiveram o prazer de visitar o local. Ou a seleção começa a mostrar um futebol empolgante e de resultados ou o interesse nela tende a cair.