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ESPORTES
Sexta-feira, 22 de Junho de 2007, 18h:43

Ansioso, Dunga diz estar pronto para estréia oficial

LUÍS AUGUSTO MONACO
Da Agência Estado – Puerto La Cruz, Venezuela
Faltam quatro dias para Dunga começar a disputar sua primeira competição oficial como treinador. Antes de ser convidado por Ricardo Teixeira para ser o substituto de Carlos Alberto Parreira, o capitão do tetra era apenas um ex-jogador. Agora que está tendo tempo para trabalhar, com uma Copa América pela frente, ele poderá mostrar se terá vida longa na nova profissão. E, consciente disso, se diz preparado para o desafio. "Todo mundo, em qualquer profissão, um dia precisou receber uma oportunidade para mostrar se tinha capacidade ou não. A cobrança em cima da seleção brasileira é sempre grande, há muito desgaste mas vale a pena estar aqui", afirmou Dunga. À medida que se aproxima o dia do "batismo" oficial - será na próxima quarta-feira, contra o México, na cidade venezuelana de Puerto Ordaz - vai aumentando a ansiedade de Dunga. Ele disse que todo dia sente tensão e um frio na barriga. "Minha expectativa é sempre ver se o treinamento que planejei na noite anterior junto com o Jorginho vai dar bom resultado. Fico contente quando vejo que tudo saiu como eu imaginei", contou o treinador. Com o mesmo espírito competitivo que o caracterizou como jogador Dunga disse que está na Venezuela para conquistar o título da Copa América. Se conseguir, ganhará força para se consolidar como treinador e levar adiante o seu trabalho à frente da seleção. Se não atingir sua meta, não tem dúvida de que será julgado. "A análise do meu trabalho será feita pelo presidente Ricardo Teixeira (da CBF) e pela imprensa, isso é natural", admitiu. Como tem pouca quilometragem como técnico, Dunga ainda carrega muito da postura que tinha quando jogava. Ele tem sempre um pé atrás em relação aos jornalistas, fica nervoso com detalhes pouco relevantes, como a área de trabalho dos fotógrafos, e não conversa informalmente com ninguém no saguão do hotel - diferentemente de Parreira, Luiz Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo, seus antecessores no comando da seleção. O que ele procura passar aos seus comandados tem muito a ver com esse comportamento. "Digo a eles para deixar de lado as críticas que receberem e lembrar que no Brasil com certeza existem milhões de pessoas que estão torcendo pela gente. É para dar uma satisfação a essas pessoas que devemos trabalhar. Não podemos economizar esforços para agradar a essas pessoas", explicou Dunga. Dunga garantiu estar muito satisfeito com o que pôde fazer nas quase duas semanas de convivência com o grupo desde a apresentação em Teresópolis (RJ), mas deixou claro que ainda quer muito mais. "Tem treinador que trabalha seis meses, um ano com um time e não consegue implantar tudo o que tem na cabeça. Os treinos têm sido proveitosos, mas é pouco tempo para dizer que o time já está com a minha cara", avisou. Para ganhar o tempo que quer para mostrar que é do ramo, Dunga sabe que a seleção precisa deixar uma boa imagem na Copa América Começando já pela estréia, seu "batismo" oficial, na próxima quarta-feira.

Edição EDIÇÃO 16959




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