Editoriais
Quinta-feira, 22 de Abril de 2010, 21h:18
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Tema nacional
O mundo ainda não conhece o Brasil com profundidade para compreender seus anseios, sua luta desenvolvimentista, sua complexidade ambiental, suas vertentes sociais e o cotidiano de suas opiniões divergentes tão comuns aos povos civilizados. Como pode a Europa entender uma manifestação de índios e ambientalistas em Mato Grosso contra a construção de uma hidrelétrica no rio Xingu, no Pará, cuja obra será executada num ponto distante mais de 1.000 km da área do protesto que acontece em Mato Grosso? O Brasil não pode se isolar da comunidade internacional e tem que lutar para ocupar o espaço que seu gigantismo lhe assegura na geopolítica mundial. Para tanto é imprescindível o desenvolvimento calcado na responsabilidade social e ambiental, mas sem abrir mão de sua soberania. Não se pode pensar em desenvolvimento sem base estrutural cujos pilares necessariamente incluem a geração de energia, sobretudo a limpa, que não agride o meio ambiente lançando poluição atmosférica. Para tanto, o caminho é a energia de origem hidráulica. Ao afunilar o projeto para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu em seu trecho paraense, perto de Altamira, o Brasil entrou em rota de colisão com o movimento ecológico internacional, que não aceita sequer discutir tal possibilidade, como se senhor fosse das decisões do governo brasileiro. O conflito sobre Belo Monte reflete em Mato Grosso, onde desde ontem e por prazo indeterminado, está bloqueada na travessia de balsa sobre o rio Xingu, na rodovia BR-080 que liga o Vale do Araguaia ao Nortão cruzando São José do Xingu e Matupá em seus extremos. Essa manifestação tolhe a passagem e isola comunidades de uma região caracterizada pelo vácuo do Estado em várias áreas, sobretudo a de transportes. Em cumprimento de seu papel e também em respeito ao povo brasileiro a União tem que esclarecer técnica, social, ecológica e economicamente o projeto Belo Monte. Adotado esse procedimento, se comprovado a viabilidade da hidrelétrica, que a mesma seja construída; em caso contrário, que se aborte sua obra. Belo Monte é projeto exclusivamente brasileiro, pois tanto as águas quanto a área de possível impacto ambiental não dizem respeito a outros países. Essa condição exclui a ingerência internacional tão visível nas ações levadas a efeito em Brasília, Pará e Mato Grosso por organizações não governamentais supranacionais. Toda manifestação de brasileiros sobre Belo Monte é válida, desde que do contraditório se extraía a verdade. Longe de xenofobia, mas em nome da preservação da soberania não se pode aceitar ingerência externa, como ora se vê, num projeto desenvolvido pela nação soberana chamada Brasil. Que as autoridades reflitam sobre essa verdade. Manifestação de brasileiros sobre Belo Monte é válida, desde que do contraditório se extraía a verdade