Editoriais
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 21h:26
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Só boa vontade não basta
É das mais esclarecedoras a entrevista que este Diário publicou, no domingo (29), com o atual secretário municipal de Transportes Urbanos, Edivá Alves, sobre os problemas que levam o trânsito da Capital a ser considerado um dos mais caóticos do país. Além de ser, também, um dos mais violentos. Vereador licenciado e que se afastou da Câmara Municipal para atender um convite do prefeito Wilson Santos (PSDB), de quem era líder, Edivá Alves transparece ser corajoso. Deixou claro ter aceitado não apenas o chamamento de um aliado político, mas chamou para si um desafio de proporções gigantescas. Ao longo do tempo, implantar uma infraestrura básica no sistema viário configurou um desafio, mas, também revelou até onde a incúria administrativa prejudica os avanços necessários no sistema de transporte urbano. A falta de planejamento no setor é histórica. Várias gerações de cuiabanos já sentiram na pele os reflexos extremamente negativos de gestões amadoras no pelo Palácio Alencastro. Se o Executivo não cumpre sua obrigação, de seu lado, o Legislativo, eternamente perdido nas discussões paroquiais, com tendência à mediocridade, não cumpre com a obrigação de fiscalizar o cumprimento das leis. As dificuldades para exercer a função, a propósito, tem sido grandes por parte de Edivá Alves. Para justificar a inércia em que se encontra o setor, passados três meses da posse de Wilson Santos no segundo mandato (e quatro anos do primeiro mandato, vale registrar), o chefe da SMTU assinala que a grande mudança executada, até o momento, na pasta, foi em termos de relação interpessoal. A inexistência de planejamento e isso Edivá Alves nem precisava dizer está evidente na falta de reestruturação do sistema viário e na mais completa ausência de melhoria do transporte coletivo. A omissão do Legislativo nesse processo só contribui para que o problema adquira proporções alarmantes. Os vereadores com as raríssimas exceções habituais são incapazes de fiscalizar e de cobrar do prefeito solução para o problema. Esse descaso, aliás, tem dado margem a muitas conjecturas, entre elas, a de que Câmara e Prefeitura são omissas em função de supostas relações promíscuas com os empresários do transporte coletivo. Relações essas, por sinal, que se acentuariam com intensidade no período eleitoral. Louve-se, de qualquer forma, a boa vontade manifestada pelo secretário Edivá Alves. Mas, a realidade é que a situação vivida pela Prefeitura de Cuiabá, no tocante ao transporte público, é dramática. Vem ser resultado de seguidas administrações que preferiram gastar de modo temerário, na tentativa de colher frutos eleitorais, a zelar pelo equilíbrio financeiro e pela aplicação correta do dinheiro do município. Essa escalada de irresponsabilidade precisa ser interrompida. Infelizmente, a experiência de legislador e os seus conhecimentos de engenheiro civil não serão bastante para Edivá Alves levar a bom termo a missão de recuperar o sistema de transportes da Capital. Só a experiência de legislador e seus conhecimentos de engenheiro não bastam para Edivá recuperar os transportes