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Editoriais
Quinta-feira, 08 de Setembro de 2011, 20h:55

Rosa e espinho

Nação somente se faz com povo. Nenhuma instituição, por mais digna que seja, tem a legitimidade das vozes das ruas. Portanto, neste ano, na mais significativa data cívica brasileira, o dia 7 de Setembro, o cidadão realmente fez o que há muito se esperava: protestou contra a corrupção e pediu punição aos corruptos. As vozes das ruas ecoaram por todos os cantos da imensa nação brasileira e, inclusive em Cuiabá, onde tradicionalmente não acontecem manifestações contrárias aos poderosos. Esse protesto foi organizado nacionalmente pelo Movimento contra a Corrupção no Brasil. Feliz é o país livre. Mais feliz ainda é o povo que lança mão de seus direitos para se posicionar contra erros administrativos, leis injustas, sentenças descabidas e contra a corrupção. Na data magna nacional Cuiabá se juntou a tantas outras capitais e cidades clamando pelo basta ao surrupiamento das finanças públicas. A manifestação em Cuiabá – e no Brasil como um todo – não foi contra a Pátria, nem contra os militares, policiais e estudantes que desfilaram. O ato foi protesto contra a institucionalização da corrupção que não respeita os poderes constituídos em todas as suas esferas, contra o sindicalismo do mais puro peleguismo, contra a impunidade que mantém nas ruas indivíduos que deveriam ser privados da liberdade, contra o enriquecimento ilícito que contribui para o agravamento da miséria social. A manifestação em Cuiabá não faltou com o respeito ao Desfile da Independência nem prejudicou sua evolução. Ao contrário, deu novo colorido à data, porque incluiu ao ato cívico o tempero popular do cidadão cansado de presenciar tanta corrupção, tanto desvio de dinheiro público, tanta obra executada fora dos padrões contratuais e tantos outros crimes, sem que praticamente nenhum detentor de mandato eletivo, ordenador de despesa, agente público, empresário ou lobista seja processado, julgado e condenado. Os participantes da manifestação em Cuiabá foram poucos e seu ato não chegará ao conhecimento de toda a população mato-grossense. Ainda assim, o ato que promoveram servirá para mexer com o inconsciente coletivo da multidão que o presenciou e poderá acender o estopim da indignação popular contra o estado de coisas reinante. Que a manifestação ocorrida no feriado nacional em Cuiabá não se resuma àquela recente data. Que ela ganhe contornos de perenidade e multiplique suas formas de se expressar quer seja em frases nas camisetas e bonés, em adesivos nos veículos e motos, nas fachadas das casas. Que de modo pacífico e ordeiro a população mato-grossense deixe claro sua repulsa ao colarinho branco. Rosa e espinho são inseparáveis também no campo figurativo social. Somente a força da cidadania brasileira é capaz de assegurar para sempre o perfume da liberdade e essa força é ancorada nas feridas – quando necessárias – causadas aos dedos desavisados que tentam machucar ou surrupiar a flor. O ato que promoveram servirá para mexer com o inconsciente coletivo da multidão

Edição EDIÇÃO 16959




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