Editoriais
Quarta-feira, 13 de Junho de 2012, 21h:48
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Rio+20
Duas décadas depois da Rio 92, primeira Conferência das Nações Unidas pela preservação do planeta, começou ontem na capital fluminense um segundo encontro dedicado ao mesmo propósito. A Rio+20, ou Conferência das Nações Unidas pelo Desenvolvimento Sustentável, tem uma pauta ampla, mas que poderia ser resumida em uma meta ao alcance da compreensão de qualquer criança: buscar formas de garantir o desenvolvimento da economia global sem sacrificar o ambiente. A capacidade de garantir avanços em direção a esse objetivo, definitivamente incorporado à agenda política na maioria dos países, incluindo o Brasil, fornecerá a medida do sucesso ou do fracasso da conferência que ora se inicia. Não se pode deixar de notar que, passados 20 anos da Rio 92, há poucos resultados a exibir. Levantamento recente coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostrou que, nos últimos 40 anos, apenas quatro de 90 metas ambientais apresentaram avanços, e algumas, como a preservação dos recifes de corais, chegaram a registrar retrocesso. Some-se a isso o fato de que a Rio+20 ocorre em um momento econômico e político que guarda pouca semelhança com o do início da última década do século passado. A ausência de importantes chefes de Estado e de governo, como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, inspira pessimismo. Ainda que tais mandatários enfrentem conjunturas econômicas domésticas desfavoráveis, todos estarão presentes à G2012, a cúpula do G-20 iniciada na última terça-feira na Cidade do México. Numa conjuntura em que, especialmente nos países ricos, a maior preocupação do momento é a preservação dos empregos, do sistema bancário e da União Europeia, pode haver espaço para o debate sobre a sustentabilidade? A resposta é sim, desde que a questão ambiental deixe de ser considerada algo sem urgência, a ser encarado num futuro distante, e passe a ser tratada como um tema decisivo para o próprio reerguimento da economia. Parece improvável que, ao se dissiparem as nuvens negras que hoje cobrem o céu da economia, seja possível retornar ao padrão de economia predatória dos últimos séculos. Desenvolvimento sem sustentabilidade, urbanização sem proteção à vida, consumo sem saneamento e reciclagem levaram o planeta a um patamar crítico. Há muito a questão ambiental deixou de ser um tema arcano de especialistas distantes do cidadão médio e se revestiu de um caráter pragmático. Sem uma agenda verde, o desequilíbrio no manejo dos recursos naturais representará, no futuro, um custo muitíssimo maior do que os benefícios gerados hoje por um padrão produtivo que já não tem o álibi da inocência e do desconhecimento. A Rio+20, que se inicia, não pode se restringir a um megaevento de chefes de Estado e governo e de celebridades. É hora de substituir o tapete vermelho pelo tapete verde e colocar mãos à obra pela vida no planeta. A sorte está lançada. É hora de substituir o tapete vermelho pelo tapete verde e colocar mãos à obra pela vida no planeta.