NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

Editoriais
Segunda-feira, 03 de Agosto de 2009, 21h:01

Preservar é um imperativo

Não é possível esperar que a natureza amenize os resultados da irresponsabilidade dos homens que provocam as queimadas. A saída é agir para coibir e punir de maneira exemplar esse tipo de crime. Ademais, já se disse que não será com a mera suspensão de novas autorizações de desmatamento que o quadro vai mudar. Uma reversão sustentável da devastação, segundo estudiosos, exige uma mudança profunda na mentalidade predatória que sustenta a exploração da natureza. Isso só será possível no dia em que a sociedade compreender que o Brasil perde muito mais do que ganha com a devastação ambiental. A preservação é um imperativo. A degradação influi negativamente em todos os quesitos da atividade humana. Mato Grosso, que sempre figura nos primeiros postos entre os maiores desflorestadores do país, oferece, diariamente, exemplos dessa triste realidade. São flagrantes os reflexos negativos, sobretudo, na economia – por extensão, na qualidade de vida dos cidadãos. Reportagem especial deste Diário, no domingo, expõe um exemplo dessa realidade nua e crua, ao mostrar que esperança e sofrimento marcam o cotidiano de Marcelândia (715 km ao Norte de Cuiabá). A cidade, que cresceu de braços dados com a “criminalidade ambiental” (a principal atividade econômica, a exploração da madeira, é carro-chefe do desmatamento), hoje, sofre para se recuperar da crise e para se desfazer do título de maior desmatadora da Floresta em 2008. A alardeada redução superior a 90% da devastação na cidade, neste ano, pelo que a reportagem apurou “in loco”, parece ter custado caro à população. Afinal, o aspecto falimentar da cidade está evidenciado no sempre presente fantasma do desemprego e da fome. “Colônias de casas vazias, serrarias fechadas e ruas desertas contrastam com o passado, onde o movimento das carretas começava antes do nascer do sol. Mais de 100 caminhões abarrotados de toras deixavam a cidade todos os dias, na década de 90. Uma fartura que não chegaria ao fim. Engano. Com o sentimento de desbravador mais forte do que o de destruidores, o povo se sente traído pelo país que ajudou a construir, ou para alguns, destruir”, relata a reportagem. A cidade, que já chegou a ter 150 madeireiras, hoje contabiliza 42. O setor educacional apresenta uma evasão considerável. A violência urbana é gritante, a ponto de a cidade se tornar manchete nacional pela ação de uma quadrilha de pedófilos, num processo que não livrou sequer grupos religiosos. O (mau) exemplo de Marcelândia é preocupante. Mas, é oportuno para lembrar que o futuro da humanidade, inevitavelmente, passa pela preservação ambiental. Preservar, portanto, é um imperativo. Lamentar, depois, não recupera os danos. “São flagrantes os reflexos negativos da degradação ambiental na vida dos cidadãos”

Edição EDIÇÃO 16959




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL