Em clima de consensualidade a Assembleia Legislativa aprovou na noite de quarta-feira um projeto de autoria do governador Silval Barbosa, que reestrutura carreiras e concede reajuste salarial para mais de 46 mil servidores civis e militares. Ao aprovarem o projeto os deputados abriram caminho para reestruturação das carreiras e a concessão de reajuste salarial de 6,47% para servidores concursados e lotados nas áreas de Saúde, Educação, Sistema Prisional, outros setores e nos institutos de Defesa Animal (Indea) e de Terras (Intermat). O aumento salarial também contempla aposentados e pensionistas das categorias incluídas ao projeto. A reestruturação mudará a base salarial do servidor de carreira estatutário. Essa mudança é prevista pela lei que criou o mecanismo da reestruturação há 10 anos. Os benefícios salariais e a melhoria da carreira profissional entrarão em vigor com data retroativa a primeiro deste mês, mas para que isso ocorra será preciso que Silval Barbosa sancione o referido projeto e que o faça em tempo hábil para assegurar a inclusão do reajuste na folha de pagamento deste mês. Mais que importante decisão tomada pela Assembleia Legislativa, a votação desse projeto criou um fato político, porque arrastou para as galerias do Legislativo centenas de servidores ativos e inativos, que vestidos com camisetas temáticas e assistidos por diretores de seus respectivos sindicatos acompanharam com atenção o desenrolar dos trabalhos dos deputados. A cada passo do rito de tramitação parlamentar a galeria se manifestava. Tanto os deputados quanto os servidores antecipadamente sabiam que o desfecho será o melhor possível, porque esse projeto foi bem costurado politicamente com as categorias interessadas. Mesmo assim, ao longo do dia e até o encerramento dos trabalhos a Assembleia Legislativa virou palco de manifestações classistas. Quanto ao acerto da aprovação do projeto, por seu aspecto social e pelo dever moral que o Estado tem de bem remunerar seus servidores não há dúvidas. O questionamento que se faz é sobre a ausência dos sindicatos não somente os das categorias ora contempladas com reajuste salarial nos debates na Assembleia Legislativa e nas câmaras municipais em Mato Grosso. Em defesa de sua base sindical os sindicatos devem permanecer pressionando todos os setores públicos, mas não podem ficar restritos somente aos assuntos que lhes interessem diretamente. Sindicalistas e outros representantes de segmentos organizados precisam manter constante mobilização em defesa dos interesses coletivos e não somente daqueles de ordem corporativista. Evidentemente o servidor que cumpre jornada regular de trabalho não tem tempo para acompanhar as atividades parlamentares, no entanto, os sindicalistas que são remunerados sem que exerçam suas funções para que possam cumprir seus mandatos precisam aprender a enxergar além do núcleo que representam. Em defesa de sua base sindical os sindicatos devem permanecer pressionando todos os setores