Editoriais
Segunda-feira, 23 de Março de 2009, 21h:55
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Inteligência na Segurança
Utilizando táticas de negociação de crises, policiais militares do Comando Regional I (Cuiabá), da Companhia de Operações Especiais (COE) e do Comando Regional V (Barra do Garças) evitaram o registro de pelo menos duas tragédias, no final da semana que passou. E, mais interessante, no decorrer da operação conjunta, não houve necessidade da utilização de arma de fogo, o que poderia ter ocasionado conseqüências verdadeiramente trágicas. Na noite de domingo (22), por exemplo, agentes da Companhia de Policiamento de Barra do Garças (Leste do Estado) prenderam dois assaltantes um dos quais menor de idade -, que mantiveram por cerca de uma hora a meia uma família de seis pessoas (quatro crianças) em cárcere privado, na periferia dessa cidade. Consta que os bandidos invadiram a residência e foram flagrados por uma equipe da PM, no exato momento em que tentavam escapar com dinheiro roubado. Armados com revólveres, fizeram a família de refém. A partir daí, como ocorre sempre nessas ocasiões, criou-se um clima de expectativa, em meio ao temor, já que, nessas ocasiões, os criminosos são capazes de tudo - inclusive, de matar os reféns e, ato contínuo, cometer suicídio. Nessas ocasiões, no entanto, é preciso contar com a ação equilibrada dos agentes da Segurança Pública, sobretudo, no que diz respeito à negociação com os bandidos, de tal forma que busque se evitar que o nervosismo acabe resultando numa fatalidade. Ou numa tragédia, como o noticiário policial tem sido notório em registrar. Nessas situações, o fator tempo é de fundamental importância para que se estabeleça o processo de confiança entre negociador e criminoso. Sabe-se que, por mais de uma hora, um oficial da PM policial conversou com os criminosos, que exigiram a presença de advogados para que se entregassem. A PM realizou contato com a OAB em Barra do Garças, que encaminhou dois profissionais para o local. Com a chegada deles, os criminosos afirmaram que iriam deixar a casa, levando as crianças como reféns. Mais uma vez, o policial negociou e evitou o ato. Final da história: os dois homens se entregaram e foram encaminhados a uma delegacia. A que consta, com ajuda de uma nova estratégia de policiamento comunitário, a PM chegou rapidamente ao local do crime. Vizinhos da residência ligaram para um celular que fica dentro da viatura da Companhia Comunitária e informaram sobre as suspeitas de invasão da casa. Imediatamente ao comunicado, a equipe se deslocou e realizou um cerco à casa. Na periferia da Capital mais especificamente, no bairro Parque Cuiabá -, o uso do armamento não-letal denominado taser também foi fundamental para a Polícia conter um pintor de paredes que mantinha o próprio filho, de apenas três anos, refém por mais de cinco horas. A ação foi desenvolvida por cerca de 20 policiais da COE e do 9 ºBatalhão, que cercaram o local e dominaram Anderson Gonçalves dos Santos, 26. A arma utilizada dispara choques elétricos. O uso da arma não-letal e da negociação direta, nos últimos tempos, tem oportunizado à Segurança Pública a solução prática de algumas modalidades de crimes, sendo a mais notória a invasão domiciliar, ocorrência que a Polícia tem registrado como uma regularidade incomum. A isso se dá o nome de gerenciamento de crises. É reconfortante constatar que, gradativamente, a truculência cede lugar à estratégia no combate à violência em Mato Grosso. O Governo do Estado, como tem sido amplamente divulgado, não mede esforços para investir no sentido de dotar o aparelho policial da infraestrutura adequada para o combate direto e eficiente do crime. Investimentos, não há como negar, são necessários. Mais imprescindível, no entanto, é atuar com inteligência. A truculência cede lugar à estratégia no combate à violência em Mato Grosso