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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

Editoriais
Sexta-feira, 12 de Junho de 2009, 19h:47

Crime ou armação política?

Há, nos meios políticos, uma profunda suspeita de que dois assaltos – um perpetrado contra o presidente da Câmara Municipal, Deucimar Silva (PP) e outro, contra o próprio Poder – registrados em menos de uma semana configurariam uma “armação” política contra a atual Mesa Diretora. Motivo da suspeita: o atual presidente tem dado demonstrações de que não pretende arredar pé de sua principal proposta de promover austeridade e transparência em todos os atos relacionados à Câmara Municipal de Cuiabá. Mas, o próprio vereador Deucimar, em seguidas entrevistas que concedeu, ao longo dos dois episódios, afirma que não enxerga os assaltos como fatos com motivação de natureza política. Na semana passada, o parlamentar foi alvo de um assalto dentro de sua própria residência, no bairro Morada do Ouro. Os bandidos levaram um computador, arquivos eletrônicos de documentos pessoais (pen drives), desprezando valores, entre os quais, cheques em branco e assinados, além de cartões de crédito. Na madrugada do feriado de quinta-feira (11), uma quadrilha tomou de assalto o prédio do Legislativo Municipal e, após imobilizar os guardas, arrombou um caixa eletrônico, invadiu gabinetes e levou equipamentos eletrônicos, entre os quais memórias de computadores (CPUs). Como era de se esperar, os dois crimes ganharam ampla repercussão e as primeiras suspeitas levantadas foram justamente as de que razões de ordem política e/ou pessoal teriam motivado as ocorrências. Nem mesmo o fato de a violência urbana ser uma infeliz constante no cotidiano da população da Grande Cuiabá impede que alguns vejam essa situação pelo lado policial da história. Os indícios são de que os crimes são comuns, mas o próprio Legislativo, pelo que hoje representa no contexto social e político – uma casa notória pelos sucessivos escândalos -, oportuniza a suspeita de que pode ter havido armação política. Deucimar Silva, a propósito, tem sido alvo da ira de alguns dos seus próprios colegas. Ao implantar o programa de austeridade e transparência, ele se transformou numa espécie de persona non grata para aqueles que, ao longo do tempo, se acostumaram com o uso e o abuso do dinheiro público em benefício próprio ou para atender às conveniências de grupos. Ao contratar uma auditoria para investigar as contas do antecessor, Lutero Ponce (PMDB), e revelar um “rombo” superior a R$ 3 milhões, o presidente desgostou meio mundo. Tanto, que uma Operação Abafa foi montada para impedir que o Plenário aprovasse a instalação de uma Comissão Processante, que poderia cassar o mandato do ex-presidente da Câmara. Recentemente, em um longo e duro discurso, o vereador do PP atirou para todos os lados, ao denunciar a existência de um suposto “esquema financeiro”, por meio do qual alguns muitos vereadores faziam pressão para a Mesa Diretora atender pedidos, com favores pessoais, com o uso do dinheiro público. O vereador não deu nomes e, ao generalizar, ele simplesmente colocou os colegas num mesmo saco. É grave a situação do Legislativo cuiabano. Agora, Deucimar Silva apela ao Governo do Estado no sentido de obter garantias à sua integridade física, na condição de presidente do Legislativo, bem como ao próprio patrimônio público, nesse caso, representado pela Câmara. Este Diário reafirma o que já disse, aqui neste mesmo espaço: se o Legislativo não se aplicar um choque de moralidade, mais tempo, menos tempo, vai assinar, de público, um atestado de incompetência, demonstrando a sua mais cristalina inutilidade. “Ao Legislativo cabe aplicar, com a maior urgência possível, um choque de moralidade”

Edição EDIÇÃO 16959




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