Editoriais
Quinta-feira, 26 de Março de 2009, 20h:48
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Apelo ao bom senso
Talvez não tenha superado, de todo, as expectativas, mas o tão esperado e decantado primeiro encontro do governador Blairo Maggi (PR) com o prefeito de Rondonópolis, Zé Carlos do Pátio (PMDB), na manhã de quarta-feira (25), teve saldo bastante positivo. De fato, o olho no olho entre os dois líderes políticos pode não ter afastado o clima de animosidade que sempre marcou o relacionamento entre o republicano e o peemedebista há quem ache que uma antipatia recíproca permanece, mesmo após o encontro aparentemente amigável -, porém oportunizou uma ocasião ímpar para ambos apelarem para a sensatez. Com efeito, como saldo positivo da audiência de pouco mais de uma hora, no Palácio Paiaguás, restou a promessa, de ambos os lados, de se estabelecer uma parceria. Na verdade, uma união de esforços políticos e administrativos (muito mais estes do que aqueles) que, se levada a bom termo e não sofrer os reflexos negativos das ações meramente politiqueiras, resultará em avanços sociais ao município - que, para todos os efeitos, representa nada menos do que a segunda maior economia do Estado. Ao contrário do que previam os observadores políticos, Zé do Pátio, pelo menos naquele momento, deixou de lado o radicalismo que notabilizou a sua atuação parlamentar. Relegou a um plano secundário as críticas contumazes, os exageros de retórica, as cobranças (muitas vezes injustas) implacáveis que sempre fez aos detentores do Poder, para se revelar um adepto do discurso apaziguador. Além de classificar o encontro de positivo, o prefeito não deixou de fazer, inclusive, previsões bastante otimistas acerca das reivindicações feitas ao governador, considerando que tudo o que colocou na mesa, durante a audiência, foi em nome da população de Rondonópolis. Pode ser exagero, mas Zé do Pátio apenas cumpriu a sua obrigação, qual seja, a de exigir aquilo que é de direito do povo rondonopolitano. A Blairo Maggi, obviamente, resta a obrigação de fazer com que o Estado cumpra com o seu dever de assistir ao Município, diante dos seus problemas mais imediatos. Na contabilidade geral, os pleitos de Rondonópolis, colocados na mesa por Zé do Pátio, remetem à conclusão de que os interesses públicos são prioridades: obras de saneamento, de infraestrutura e nas áreas de Saúde Pública e Educação. Uma delas, por sinal, chamou a atenção: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para o qual faltaria a contrapartida do Governo do Estado, sem o qual um conjunto de obras com destaque para o saneamento - deixará de ser executado. Era previsível como, aliás, costuma ocorrer nesse tipo de encontro administrativo que, ao final da audiência, as duas autoridades anunciassem a disposição de deixar de lado as diferenças partidárias, priorizando os interesses dos cidadãos. Com efeito, de seu lado, o governador Blairo Maggi assegurou que vai analisar cuidadosamente os pedidos de Zé do Pátio, admitindo que a população não pode pagar a fatura de diferenças meramente políticas. Oportunamente, o governador observou que, na sua condição de empresário do agronegócio, tem investimentos em Rondonópolis. Morador da cidade, obviamente, conhece as necessidades locais e sabe, talvez mais do que ninguém, o quanto é importante e necessário que Governo e Prefeitura, independentemente do caráter político-partidário das questões, unam esforços para proporcionar à população desse importante pólo de desenvolvimento do Estado a melhoria da qualidade de vida. Se não superou as expectativas do meio político, pelo menos o fato de Maggi e Pátio abrirem um canal de entendimento revelou que nada é mais salutar do que se apelar ao bom senso, notadamente quando em jogo está o interesse coletivo. O diálogo é imprescindível para se chegar a um entendimento. E a sensatez, não há como negar, é um imperativo lógico, que não pode deixar de ser levado em consideração. O diálogo é imprescindível para se chegar a um entendimento