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Editoriais
Terça-feira, 15 de Julho de 2014, 20h:37

A Copa e a segurança

De todas as lições deixadas pela Copa do Mundo para o Brasil, talvez a principal seja a consciência de que podemos, sim, atenuar o maior fator de rejeição estrangeira ao nosso país e de incômodo para os próprios brasileiros, que é a insegurança das grandes cidades. O Plano de Segurança Pública da Copa, que custou ao governo federal pouco mais de R$ 1 bilhão com compra de equipamentos e custeio, funcionou satisfatoriamente mesmo com a movimentação extraordinária de pessoas em torno dos jogos. Os centros de comando e controle, com o sistema de imageamento aéreo e plataformas de observação, instalados em nove capitais, ficam como um legado na área de segurança, assim como a integração entre a Polícia Federal e as polícias estaduais. O Brasil encerra a Copa com a convicção de que podemos reduzir a sensação de insegurança, mesmo que nem todos os problemas tenham sido resolvidos. O saldo é tão satisfatório, que os próprios brasileiros concederam a essa área algumas das melhores notas dos serviços avaliados durante a Copa, inclusive sob o ponto de vista de jornalistas e visitantes estrangeiros. O país superou as melhores expectativas, como resultado de um esforço reconhecido desde as primeiras providências. Merece reconhecimento a capacidade de articulação da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, do Ministério da Justiça, que pôs em funcionamento nas 12 cidades-sede o Sistema Integrado de Comando e Controle. Combinaram-se, para o êxito da empreitada, os investimentos em tecnologia, em treinamento e integração das polícias, em todas as esferas. Brasileiros e turistas, além das delegações participantes, puderam experimentar o sentimento de que estavam de fato mais protegidos não só contra o crime organizado, mas contra ameaças cotidianas. As grandes cidades ficaram mais seguras, durante um mês, também pelo reforço operacional de policiais militares deslocados de comunidades interioranas, e o país foi apresentado a outra surpresa – mesmo assim, não houve aumento de criminalidade nas regiões menos guarnecidas. Não se espera que, após a Copa, se mantenha a mesma estrutura excepcionalmente montada para um evento com particularidades únicas. Mas muitas das referências de tecnologia, inteligência e pessoal devem ser aproveitadas pelo governo federal e pelos estados. O país não pode desperdiçar o aprendizado de mais de 160 mil profissionais da segurança e da defesa civil. Aprendemos com especialistas de outros países e com as trocas entre o pessoal das polícias nacionais. O Brasil que se saiu bem com a segurança da Copa deve repetir o feito na Olimpíada de 2016. Até lá, terá de provar que as estruturas e as práticas de segurança são de fato um dos legados duradouros do Mundial. Muitas das referências de tecnologia, inteligência e pessoal devem ser aproveitadas

Edição EDIÇÃO 16959




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