ECONOMIA
Sábado, 01 de Agosto de 2009, 12h:14
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ALGODÃO
Safra mais cara de MT
Saldo da cotonicultura mato-grossense revela cotação no mercado 25% abaixo do estipulado pela Conab e alta de até 140% nos insumos
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Os altos custos de produção, aliados à baixa cotação do algodão em pluma nos mercados interno e externo, estão levando os cotonicultores mato-grossenses a colher a safra mais cara dos últimos anos. Mato Grosso é o maior produtor da fibra e responsável por cerca de 50% do total colhido no Brasil. O maior vilão, segundo os produtores, são os elevados preços dos fertilizantes, que sofreram alta em dólar - de 140% entre 2007 e 2008. Para complicar a situação, os preços do algodão em pluma pagos atualmente ao produtor são os menores desde 2002, R$ 33 a arroba, bem abaixo do preço mínimo estipulado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), R$ 44,60. Nesta comparação de cotações, o mercado está ofertando cifras 25% abaixo do mínimo. Nunca tivemos preços tão baixos nos últimos sete anos como agora, aponta o ex-presidente da Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa) e conselheiro consultivo da Abrapa (associação nacional), João Luiz Ribas Pessa. Estamos falando de uma cotação em torno de R$ 33 em algumas regiões de Mato Grosso, para um custo de R$ 38 por arroba. Avaliando os preços da arroba do algodão 15 quilos as perdas são de R$ 5. Segundo ele, para exportação o momento é muito ruim e, no mercado interno, os preços não estão remuneradores. A leitura que temos deste cenário, hoje, é de que o produtor que tiver de vender agora para pagar suas contas, terá prejuízos. Por isso, achamos que deve-se esperar um pouco até os preços reagirem no mercado. Mas, quem tem contrato está beneficiando a produção e procurando cumprir as entregas aos exportadores. Pessa diz que os baixos preços do algodão poderão refletir diretamente no planejamento da próxima safra. Provavelmente, teremos queda de no mínimo 10% em 2010, com impactos econômicos e sociais para o Estado. Os custos de produção são apontados pelos cotonicultores como o principal fator de perda de renda na safra 08/09. De acordo com os levantamentos, os custos da lavoura de algodão são bem mais altos, quando comparados com os da soja. No caso do algodão, são necessários 1.200 quilos de fertilizantes ou 1,2 tonelada entre a base e a cobertura para se obter uma boa produtividade. Ao preço pago de US$ 850 por tonelada, o produtor gastaria US$ 1,02 mil para aplicar o adubo. Neste caso, o cotonicultor teria que colher 300 arrobas de pluma só para pagar os custos. Como a produtividade de Mato Grosso está em torno de 250 arrobas, o prejuízo para o produtor seria de pelo menos 50 arrobas por hectare. PRODUÇÃO De acordo com dados fornecidos pela Ampa, Mato Grosso deverá colher este ano 530 mil toneladas de pluma, 30% a menos que as 570 mil toneladas colhidas no ano passado. A área plantada também foi reduzida em 30%, caindo para 380 mil hectares. Tivemos baixa produtividade, mas a qualidade da fibra foi excepcional, explica o diretor da Ampa, Décio Tocantins. O que mais pesou para o consumidor, segundo ele, foi o custo dos fertilizantes. Os preços estão tão baixos que não chegam sequer a empatar com o mínimo estipulado pelo governo federal. Diante deste cenário os produtores estão cautelosos, preferindo aguardar mais algum tempo para comercializar a safra. Se aliarmos o problema da redução dos preços a outras variáveis, como queda da safra, defasagem cambial e endividamento agrícola, temos um quadro altamente desfavorável ao algodão, que poderá provocar desestímulo nos produtores, alerta João Pessa. (Veja mais na página C2)