ECONOMIA
Segunda-feira, 26 de Maio de 2008, 20h:13
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Relação leilão e exposição agropecuária
A velha e boa exposição agropecuária faz parte da cultura do Brasil interior. Incorporou-se ao cotidiano das grandes e pequenas cidades. É perene. Mesmo assim, esse tradicional evento passa por transformações. Parcialmente sai da esfera dos negócios do campo e descamba para a área do esporte e entretenimento. Em Mato Grosso, as exposições agropecuárias são promovidas pelos 79 sindicatos ligados à Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) e por associações de criadores. Em alguns municípios exposição é a festa principal. É o ponto de encontro do campo com a cidade. Quando surgiram e até a década de 1980, a base da exposição era a agropecuária. Pavilhões expondo genética, leilões, provas hípicas, torneios leiteiros, palestras técnicas e os estandes de máquinas e implementos reinavam absolutos, sem prejuízo da roda-gigante, das barraquinhas de jogos, das touradas e rodeios, do glamour das mulheres em trajes típicos. Após esse período aconteceu a grande mudança. Os destaques são shows milionários que permitem aos promotores o mimo de sortearem automóveis aos que pagam ingresso. A longa duração da exposição cria desgastes e por mais que atraia público aos shows afasta agropecuaristas. Nesse cenário os leilões ganharam força, e embora também realizados em recintos de exposições, saltaram as cerca dos parques. As exposições não foram sufocadas pelos leilões externos, mas não se pode negar que perderam boa parte do filão das comissões cobradas às empresas leiloeiras. Parece que começa a se cristalizar novo cenário na chamada pecuária de vitrine. Os parques das associações e sindicatos dominam os leilões de elite, torneios leiteiros, provas eqüestres, rodeios, palestras e a linha de shows artísticos. As leiloeiras, em eventos rápidos, práticos e objetivos, nadam de braçadas no mercado de compra e venda de cria, recria e engorda. Cada vez mais os pecuaristas optam pelos negócios nos leilões, quer se façam presentes, quer pelo casamento da televisão com o telefone. Há espaço para exposições e leilões. Cada qual em seu nicho. O único risco nessa nova relação é o de que o público do Leonardo, do Zezé e de outros ídolos transforme a bilheteria na única razão de ser da mais tradicional festa do homem do campo. (EG)