ECONOMIA
Sábado, 03 de Maio de 2008, 14h:32
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VIDEOLOCADORAS
Receita fica 71,4% menor
Crise toma conta do segmento em MT. Distribuidores amargam perdas e locação despenca em 16 meses
MARCONDE MACIEL
Da Reportagem
As videolocadoras da Grande Cuiabá já teriam deixado de faturar cerca de R$ 2,6 milhões só do ano passado para cá devido à ação da pirataria de DVDs de filmes. O volume representa um corte de 71,4% no faturamento das pouco mais de cem lojas em atividade no Estado. O cálculo é feito com base na estimativa diária de locações e considera um preço médio de R$ 4. No começo do ano passado, a média era de 1,4 mil locações por dia, gerando uma receita bruta diária de R$ 5,6 mil ou, ainda, R$ 168 mil por mês e R$ 2,68 milhões em um período de 16 meses janeiro de 2007 a abril de 2008. Atualmente, a média de locações despencou para 400 títulos, totalizando faturamento de R$ 1,6 mil por dia (R$ 48 mil por mês) ou R$ 768 mil nos últimos 16 meses, queda de 71,4%. Por conta desses prejuízos, dezenas de locadoras abandonaram o mercado e estão partindo para outros ramos. As estatísticas apontam que das 200 locadoras em atividade no começo de 2007, apenas 125 ainda permanecem no mercado, porém apenas 10% delas estão atuantes investindo e gerando empregos. Há informações de que pelo menos 800 vagas foram extintas no setor nesse período. Os pirateiros agem livremente nos mais diferentes pontos e logradouros da cidade: ruas e avenidas, pequenas lojas, centro, feiras livres, lojas de conveniência e até portas de hospitais, bancos, restaurantes, bares e escolas. Devemos conscientizar a população para não consumir produtos pirateados. Os cidadãos devem saber que o prejuízo de produtores, artistas e de quem trabalha legalmente é grande e as conseqüências acabam atingindo toda a sociedade, afirma Heder Pinto da Silva, representante comercial da Cannes Produções, que comercializa DVDs de filmes no Estado. As pessoas devem ficar atentas porque muitas vezes um DVD pirata pode danificar o aparelho. E eles não vão se responsabilizar por isto, alerta. Para Heder da Silva, esta é a pior crise da história das videolocadoras mato-grossenses. Não tivemos algo parecido ou semelhante à situação que estamos vivendo atualmente, disse, lembrando que já chegou a vender 600 peças por mês. Hoje, ele não consegue vender 70. Em Mato Grosso são apenas quatro representantes comerciais em atividade atualmente. Só vendemos para locadoras e empresas estabelecidas, garante Heder, revelando que muitos clientes dele já chegaram a ser assediados por pirateiros. A nossa orientação é para que aqueles que forem procurados denunciarem o fato à polícia. Ele informou que apenas 10% das 125 locadoras estão trabalhando, investindo e gerando empregos no Estado. As demais não estão comprando, buscam outro nicho de mercado, como lojas de conveniência e papelarias, aproveitando o mesmo ponto comercial. Os empresários que estão sobrevivendo são aqueles que realmente são apaixonados pelo vídeo e que já têm um ponto próprio para trabalhar. Mauro Brandão Filho, também representante comercial, diz que as grandes empresas estão saindo do mercado. O mercado [de videolocadoras] está mesmo fadado ao desaparecimento por causa da invasão de produtos piratas. Com oito anos no mercado, Mauro conta que já chegou a vender mil peças por mês, no ano passado. Hoje não vende mais do que 300 (queda de 70%). O setor vive uma fase muito complicada. A população precisa tomar consciência de que quem compra DVD pirata pode estar fomentando contravenções como piratarias, prostituição e uso de drogas. O dinheiro da pirataria circula nesses meios, de tráfico, de furtos. Muita gente não sabe disso e compra achando que está levando vantagem. Mas, lá na frente ela pode ser a própria vítima. MOBILIZAÇÃO Há mais um ano os empresários do segmento estão unindo forças para pelo menos amenizar os impactos do mercado paralelo. Alguns até acreditam que locação de cópias originais de filmes acabará sendo em breve um capricho e que o serviço se tornará elitizado. Em março do ano passado os donos de videolocadoras de Cuiabá oficializaram o pleito ao Ministério Público Estadual (MPE). (Veja mais na C2)