O agricultor Osvaldo Luiz Pasqualotto, que cultiva uma área de 7 mil hectares no município de Juscimeira (152 quilômetros ao sul de Cuiabá), estima que a produtividade média da sua lavoura de soja poderá sofrer redução de até 10% nesta safra por causa das chuvas, em relação aos números obtidos no ciclo passado (05/06). Ele conta que o percentual de grãos deteriorados devido à umidade já chega a 10% do total e que as lavouras semeadas com semente de ciclo tardio - entre novembro e dezembro - podem ter quebra no rendimento em função da ocorrência de pragas e da maior incidência da ferrugem asiática. Ele lembra que as chuvas criam um ambiente favorável ao surgimento de doenças nas plantações. Nesta safra, Pasqualotto conta que a produtividade média da soja estava oscilando entre 48 e 52 sacas por hectare. Aproximadamente 15% da área cultivada pelo agricultor já foi colhido. A previsão, no entanto, é de que os talhões tardios e mais atingidos pelas chuvas rendam no máximo 43 sacas por hectare. SOJA PRECOCE - A soja precoce, plantada por volta de outubro do ano passado, está correndo o risco de passar do ponto de colheita por causa das chuvas. Por ter sido semeado mais cedo, o grão já está pronto para a colheita e o atraso ocasionado pelas precipitações pode resultar em novas perdas. Segundo os produtores, após o fim do ciclo a vagem estoura e o grão cai de forma natural. Além disso, quando chove o grão absorve mais umidade. Isto pode ocasionar o apodrecimento da soja mesmo com o grão ainda na planta, devido ao ataque de fungos. O presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá), Ricardo Tomczyk, acredita que por enquanto, apenas os produtores que iniciaram a colheita da lavoura estão tendo prejuízos. O atraso na colheita provoca a deterioração dos grãos. Ele calcula que até agora no máximo 10% da soja plantada na região sul do Estado tenha sido colhido. (MM)