ECONOMIA
Segunda-feira, 12 de Março de 2001, 19h:26
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BAIXO PANTANAL
Pecuaristas iniciam mobilização
Pecuaristas pantaneiros da região de Poconé estiveram reunidos no último final de semana no Sindicato Rural do município para dar início a uma grande mobilização em prol da sobrevivência da pecuária no Baixo Pantanal. Há mais de três séculos que o homem e o boi estão no Pantanal sobrevivendo naturalmente de sua vegetação e protegendo os ecossistemas alagáveis. Em 1975, 31% do rebanho bovino de Mato Grosso estavam no Baixo Pantanal. Hoje são menos de 4%. A mobilização dos pecuaristas do Pantanal começou no ano passado, quando grandes incêndios tomaram conta das fazendas, matando o gado, a fauna e a flora. A culpa, como sempre, recaiu sobre os pecuaristas. A imprensa mostrou por diversas vezes o desastre e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) tratou de aplicar multas nos proprietários das fazendas por onde o fogo passou. Com a falta de uma política agrícola diferenciada para incentivar a pecuária secular do Pantanal, os fazendeiros abandonaram a atividade e a vegetação deixou de ser renovada pelo pisoteio do boi. Estudos técnicos comprovaram grande redução do gado pantaneiro em todas as regiões do Pantanal nos dois Estados Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em Poconé, havia 365 mil cabeças de gado em 1975. Hoje, o rebanho é de 75 mil cabeças. Essa mudança vem provocando grande impacto ambiental porque a pecuária é uma necessidade ambiental do Pantanal. O boi já faz parte do ecossistema e, portanto, os três séculos de pecuária na região são responsáveis pela preservação do Pantanal. É preciso mudar essa situação logo. Caso contrário, os desastres ambientais serão cada vez maiores, alertam os pecuaristas. Em Mato Grosso do Sul, uma entidade ambientalista apresentou estudos semelhantes e alertou para o abandono das fazendas seculares e a falta de manejo da vegetação. Os dois únicos animais em extinção aqui no Pantanal são o homem e o boi, comentou o presidente do Sindicato Rural de Poconé, Átila Josias Corrêa de Arruda. A região já produziu milhões de cabeças, fornecendo carne sadia para todo o Brasil. Hoje, somos chamados de bandidos e somos escurraçados do Pantanal. Na avaliação dos pecuaristas, a única solução seria uma política diferenciada de incentivo à pecuária, com juros compatíveis com as condições dos produtores. Aqui temos duas grandes diferenças. Nossa produtividade não pode ser comparada à pecuária que trabalha com pastagens de braquiária e alta tecnologia genética. Além disso, não podemos ser considerados grandes latifundiários, uma vez que a nossa pecuária é essencialmente extensiva. E a ocupação aqui é secular e familiar, afirmam os pecuaristas.