ECONOMIA
Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007, 19h:09
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O rio do capitão Teles Pires
Encravado no meio do continente, cercado de América do Sul por todos os lados, Mato Grosso busca os melhores caminhos ao mar desde os primórdios de sua colonização. Os ciclos econômicos passam, mas a vocação exportadora mato-grossense o mantém sempre de olho nas rotas seguras aos portos. Santarém é uma delas. Navegação Paranista. Esse foi o nome dado ao desafio de escoar o diamante extraído nos garimpos de Diamantino, Rosário Oeste, Nobres e Alto Paraguai, pelos rios Arinos, Juruena, Tapajós e Amazonas. Isto em 1812, quando a Amazônia era um grande mistério para o Brasil, mas não intimidava os pioneiros nessa rota, Miguel João de Castro e Antônio Tomé de França. Em embarcações improvisadas, Miguel e Antônio Tomé conheceram o caminho para Santarém, por onde há dois séculos a pedra mais cobiçada e valiosa deixava o cerrado e ganhava o mundo. Antônio Lourenço Teles Pires, capitão do Exército, foi escalado para descobrir o rio São Manoel, que nasce com o nome indígena de Paranatinga. O oficial não cumpriu a missão: em 2 de maio de 1890 a embarcação de Teles Pires emborcou e o matou por afogamento. Em homenagem ao capitão, o rio ganhou seu nome. Assim, nos mapas, surgia o Teles Pires, que juntamente com o Juruena forma o Tapajós. Transcorridas décadas, a memória da viúva do capitão vitimado no acidente, Carlinda Lourenço Teles Pires, foi reverenciada com a denominação do município de Carlinda, na comarca de Alta Floresta. Além da homenagem aos Teles Pires, a região também reverencia Antônio Peixoto de Azevedo, tenente da Polícia Militar de Mato Grosso que em 1819 explorou o rio em busca de caminho seguro ao Pará em substituição à navegação pelo Juruena. Peixoto de Azevedo é nome de um rio e de um dos principais municípios do Nortão. No passado, o Teles Pires foi um desafio para Mato Grosso. Com a navegação de Sinop ao Pará esse rio se tornará aliado da economia mato-grossense, reduzindo o chamado Custo Brasil que tanto tira a competitividade dos produtos agrícolas da região central do país nos mercados internacionais. (EG)