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ECONOMIA
Segunda-feira, 03 de Setembro de 2012, 21h:07

INTACTA RR2

Novo embate com Monsanto

Aprosoja/MT recomendou ontem a produtores que não usem cultivar, menina dos olhos da multinacional

MARIANNA PERES
Da Editoria
A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT) e a multinacional norte-americana de produtos agrícolas, a Monsanto, vão protagonizar mais um embate. Desta vez, o cerne da discussão não é exatamente os royalties que devem ser pagos por quem utiliza suas variedades geneticamente midificadas (OGM), e sim uma variedade, a Intacta RR2 Pro, que foi exclusivamente desenvolvida, após uma década de estudos, para atender exclusivamente o Brasil. Ontem, a entidade emitiu uma recomendação para que as variedades da cultivar não sejam plantadas nesta safra. A sugestão chega a menos de 15 dias do início do plantio da safra 2012/13, cujo cultivo pode se dar a partir do dia 16 no Estado, quando se encerra o período de proibição, o Vazio Sanitário. Conforme a nota enviada pela Aprosoja/MT, o produtor não deve plantar as variedades da nova soja da Monsanto, “enquanto ela não for aprovada para importação na China”, principal parceiro comercial do Estado e do país. O argumento da entidade se baseia nos números das exportações. De janeiro a julho, por exemplo, Mato Grosso já exportou quase todo volume embarcado em 2010 ao atingir 9,80 milhões de toneladas. Deste total, 6,60 milhões tiveram como destino a China, país que sozinho corresponde até o momento por quase 70% (67,35%) das vendas de soja em grão produzida no Estado em 2012. Somente no ano passado, os chineses importaram 22,7 milhões de toneladas do grão brasileiro respondendo por US$ 11,2 bilhões em receitas. Como explica a Aprosoja/MT, “essa recomendação é decorrente da forte preocupação que temos com as enormes consequências de uma possível contaminação de soja Intacta RR2 Pro em carregamentos de soja com destino a nosso principal mercado, a China. Todos os produtores brasileiros ainda têm amargas lembranças da enorme crise de preços causada pela recusa de várias cargas de soja brasileira pelos chineses em 2004”. O Diário entrou em contato com a multinacional, por meio da assessoria de imprensa, mas até o fechamento da edição, por volta das 20h, horário local, não obteve qualquer avaliação sobre as consequências do ‘boicote’ mato-grossense. Ainda conforme a nota da entidade, “apesar das autoridades competentes da União Europeia já terem aprovado a tecnologia Intacta RR2 Pro para a soja, resta ainda a pendência com relação ao importante mercado chinês, hoje o maior comprador de soja do Brasil”. Segundo a Aprosoja/MT, a Monsanto se comprometeu, em 2011, a não comercializar qualquer evento de soja cuja aprovação não estivesse concluída nos principais destinos de exportação da oleaginosa brasileira. “Mesmo com todos os mecanismos de controle e monitoramento propostos pela Monsanto, verifica-se um enorme risco neste prematuro lançamento no mercado brasileiro de semente de soja da variedade Intacta RR2 Pro”. Ainda como acrescenta a Aprosoja/MT, essa preocupação é também compartilhada pelas empresas compradoras e tradings de soja, representadas pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove). DENÚNCIA – Na nota a Aprosoja/MT denuncia ainda que a empresa está condicionando o plantio da cultivar OGM à assinatura de um contrato, o qual repassa toda e qualquer responsabilidade ao produtor em caso de contaminação. “A Aprosoja/MT considera esta ação da Monsanto um flagrante desrespeito ao compromisso assumido em 2011 e principalmente um desrespeito aos produtores de soja do Brasil”. O parecer do setor jurídico da Aprosoja/MT, conforme a nota, diz que “o contrato em questão impõe risco demasiado ao produtor, que por uma simples e incontida contaminação de talhão ou produção, ainda que de maneira involuntária, pode ser obrigado a pagar indenização à Monsanto e a terceiros, multa a administração pública, pode ter sua atividade suspensa, sua fazenda embargada, e ainda ser preso”, completa a recomendação. Finalizando, a entidade frisa que existem eventos aprovados no Brasil da Basf/Embrapa e Bayer, que não serão lançados enquanto as empresas não obtiverem as devidas aprovações nos principais importadores. “Esta é a postura que consideramos correta e responsável”. 2ª GERAÇÃO - A Intacta RR2 Pro é tida como a menina dos olhos da multinacional por ser a primeira desenvolvida fora dos Estados Unidos e voltada 100% à sojicultura nacional. A Intacta oferta três benefícios ao mesmo tempo: produtividade, proteção contra as principais lagartas da lavoura e tolerância ao glifosato devido à tecnologia Roundup Ready (RR). Para se chegar a segunda geração de OGM foram dez anos de investimentos que consumiram cerca de US$ 100 milhões.

Edição EDIÇÃO 16959




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