Nova fronteira sem abertura de áreas para o agronegócio
Não há levantamento preciso sobre a extensão da área de pastagem degradada em Mato Grosso. As informações, contraditórias, variam de cinco a 10 milhões de hectares. Mas, basta percorrer o interior para se deparar com áreas tomadas por cupins, com a vegetação primitiva ressurgindo e até mesmo com sinais de desertificação. A degradação de propriedades antropizadas por pasto afeta a pecuária, e em alguns casos migrou invernadas para lavouras. O grande desafio é recuperar tais áreas. O problema para se alcançar esse objetivo é abrangente. Esbarra na descapitalização do pecuarista, nas barreiras creditícias, nas taxas de juro e até mesmo no fato de o pecuarista não ter tradição em lavoura, uma vez que a recuperação passa pelo cultivo de arroz para o posterior plantio das gramíneas. Num cenário otimista dentro da estimativa de pasto degradado Mato Grosso teria cinco milhões de hectares ora improdutivos ou parcialmente produtivos. Essa área corresponde a aproximadamente ao espaço ocupado pela maior lavoura do Estado, a soja. Reincorporá-la à produção equivale praticamente a abertura de uma segunda frente agrícola da dimensão da atual, sem que isso implique no avanço do agronegócio sobre a floresta e o cerrado. O presidente em exercício da Famato, Rui Prado, acredita ser possível a total recuperação dos pastos e a consorciação dessa área entre pecuária e agricultura. É isso que queremos e buscamos, resume. Num cenário assim, Mato Grosso ampliaria sua capacidade de produção, com alta produtividade, empregando conhecimentos científicos e técnicas modernas tanto para a pecuária quanto para a agricultura. (EG)