ECONOMIA
Segunda-feira, 12 de Março de 2001, 21h:59
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FGTS
Malan quer prioridade para saldos até R$ 1 mil
A proposta do ministro coincide com o que vinham propondo as centrais sindicais
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, defendeu ontem que os titulares de contas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) com saldos de até R$ 1.000 sejam os primeiros a receber a correção do fundo correspondente aos percentuais de rendimento expurgados nos planos Verão (1989) e Collor (1990). A proposta de Malan coincide com o que já vinham propondo as centrais sindicais, com a diferença de que, enquanto estas querem o pagamento imediato, com os recursos já existentes no FGTS, o ministro não fixou prazo, apenas a prioridade. Durante uma entrevista coletiva no Rio, quando respondia a perguntas gerais sobre a correção do FGTS, Malan apresentou espontaneamente sua proposta. "Tem um outro ponto sobre o qual eu gostaria de ver chamada a atenção: todos falam em distribuição de renda desigual no país Eu peço que olhem para o FGTS. As contas com saldo de até R$ 1.000 correspondem a cerca de 92% do número total de contas. Acho que deveríamos buscar uma forma de fazer com que esse trabalhador seja atendido mais rapidamente, disse. Segundo Malan, esses 92% (91,98%, precisamente) das contas totalizam apenas 16,86% dos R$ 40 bilhões que representariam o valor total da correção, ou R$ 6,74 bilhões. Em contrapartida, a parcela de 1,01% das contas que possuem saldo superior a R$ 10 mil representa 44,35% do valor a ser creditado, ou R$ 17,74 bilhões. "Essa distribuição é extremamente mais desigual que a chamada extremamente desigual distribuição de renda do país, disse Malan. De acordo com dados fornecidos depois pela assessoria do ministro, no país como um todo os integrantes do grupo dos 1% mais ricos se apropriam de 13% a 14% da renda. Se a parcela tomada como base for de 5%, os dados do Ministério da Fazenda mostram que a parcela dos 5% mais ricos do país se apropria de 33% a 34% da renda, enquanto os 5% das contas do FGTS com saldo superior a R$ 2.000 têm direito a receber 75% da correção, correspondentes a R$ 30 bilhões. Sem intenção eleitoral - Ao ser questionado sobre se sua proposta não tinha relação com os crescentes rumores de que será candidato à Presidência da República, Malan refutou. "Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Isso é uma tabelinha simples que nós distribuímos para a imprensa e que ninguém se interessou por ela, disse, acrescentando que não é candidato. "Não, definitivamente não, afirmou. Malan voltou a dizer que o dinheiro para a correção das contas do FGTS não pode sair do Tesouro Nacional, nem mesmo aquele destinado ao crédito nas contas de até R$ 1.000. "O orçamento deste ano já está votado pelo Congresso. Essa questão vai ter que ser equacionada ao longo do tempo, disse o ministro, referindo-se à correção do FGTS como um todo. A origem dos recursos e o cronograma da correção do FGTS vêm sendo discutidos pelo ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, com empresários e centrais sindicais de trabalhadores. Apesar das divergências existentes, hoje à tarde Dornelles insistiu que o acordo será alcançado. "Vamos transformar o maior contencioso do mundo no maior acordo do mundo, Vamos resolver isso o mais rápido possível, afirmou.