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ECONOMIA
Quinta-feira, 19 de Junho de 2008, 20h:45

MERCADO

Grupo Naoum vai fechar usina Jaciara

Exigências de mercado levaram à transferência das atividades à Pantanal. Funcionários serão absorvidos

THIAGO ITACARAMBY
Enviado especial a Jaciara
O Grupo Naoum, proprietário das usinas Jaciara e Pantanal, anunciou ontem que vai fechar a usina Jaciara por questões de estratégia de mercado. As unidades estão localizadas no município de Jaciara (144 quilômetros de ao sul de Cuiabá). A opção pela planta Jaciara foi motivada pelo fato da unidade não possibilitar a expansão da produtividade nas lavouras de cana-de-açúcar. Os custos da transferência da operação à Pantanal não foram revelados. Durante o anúncio feito em coletiva de imprensa, o Grupo disse que as ações estratégicas prevêem a unificação das duas plantas em um só lugar. Há 36 anos instalado no Mato Grosso, o Grupo com sede na cidade de Anápolis (GO), oficializou todas as ações operacionais a serem cumpridas a longo prazo. O Grupo criado há mais de 55 anos no país possui participações no setor de Hotelaria, Transporte e Construção Civil. A produção prevista para 2010 é de 2,1 milhões de toneladas (t). Um dos grandes motivos para o fim do encerramento da atividade da usina Jaciara é a questão de logística, já que a fábrica está instalada em uma área bastante complicada que impossibilita o crescimento da produtividade. Além disso, a área de quase cinco mil metros quadrados fica próxima do rio São Lourenço, que de certo modo provoca um impacto sócio-ambiental no local. De acordo com o presidente do Grupo Naoum, Edison Luiz Menezes Couto, antes mesmo da unificação das fábricas, a empresa em Mato Grosso, passou por um processo de análise e revisão de todas as ações, operacionais ou não. Ele disse que há quatro anos os profissionais receberam capacitação para lidar com a nova fase da empresa. Durante a coletiva, o Grupo goiano se mostrado bastante preocupado com relação ao impacto social e ambiental da atividade. A direção da empresa trabalha em projeto de sustentabilidade, por meio da geração de mudas nativas que serão repostas em áreas de matas ciliares degradadas. A produção anual é de 45 mil mudas nativas com espécies do cerrado mato-grossense. Para o presidente do Grupo Naoum, o grande entrave para a empresa no atual local é a questão de logística. Couto falou da aproximação da usina Jaciara ao perímetro urbano da cidade – aproximadamente um quilômetro de distância. “Aqui não é possível haver nenhum tipo de crescimento social e urbano”, afirmou. Outro fator é a sua topografia acidentada. Embora o solo não colabore para o processo de mecanização, por outro lado, gera a necessidade de se realizar as queimadas. Segundo o presidente, a situação é mais acentuada nas questões sociais e trabalhistas do que do ponto de vista exclusivamente econômico. Ele lembrou que até 2014, o governo federal restringirá qualquer tipo de queimadas em áreas acidentadas. Em relação ao processo de desocupação da área, Couto comentou que desde 2006 houve uma análise econômica das áreas. O presidente do Grupo Naoum revelou que todas as alterações do ponto de vista operacional já foram analisadas. Atualmente uma empresa de consultoria monitora todo o processo de transferência. Desde 2007 a usina Jaciara não produz mais o álcool em sua unidade. A transferência total da destilaria ocorreu no início do ano. Com isso, a produção do álcool esta totalmente definida. BOATOS - Couto desmentiu qualquer tipo de boato sobre a questão do fechamento da fábrica. De fato, ele explicou que a melhor situação encontrada pela empresa foi a transferência das atividades para a usina Pantanal. Atualmente, o Grupo produz 2 milhões/t no Mato Grosso. Desse total, são produzidos 1,3 milhões/t na Pantanal, contra 700 mil, a capacidade de produção até então dentro da Jaciara.

Edição EDIÇÃO 16959




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