ECONOMIA
Terça-feira, 01 de Julho de 2014, 19h:49
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SUPERMERCADOS MODELO
Grupo fecha mais 2 lojas, até a matriz
Na virada do mês, a filial Aeroporto e a loja que deu início ao sonho de uma rede no ano de 1984, no Cristo Rei, amanheceram fechadas
MARIANNA PERES
Da Editoria
Os cartazes com as ofertas de frutas e verduras da semana estão afixados na entrada do Modelo Cristo Rei, mas os portões e a entrada principal estão fechados desde a última segunda-feira. Na virada do mês, a direção do grupo Modelo que engloba rede de supermercados, centro de distribuição e logística suspendeu as atividades em suas duas unidades de Várzea Grande: na matriz, localizada no bairro Cristo Rei, e no bairro Ipase, filial Aeroporto. Com mais estas suspensões, o grupo já fechou nove lojas nos últimos 18 meses, em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, sendo cinco nos últimos 30 dias em razão de uma crise financeira que já contabiliza dívida de cerca de R$ 200 milhões. Diferente do que ocorreu no final de maio, quando o grupo encerrou as atividades em três lojas na mesma semana Prainha, CPA I e III - e afixou um cartaz informando o fechamento das unidades aos clientes, nessas duas lojas ficou a impressão de que tudo foi de repente, como se a decisão tivesse sido tomada do dia para noite, já que as ofertas da semana estão ali visíveis para quem passa e houve surpresa por parte dos clientes que não sabiam da suspensão. Eu sempre comprava aqui no Modelo {Aeroporto}. Vim aqui ontem {segunda-feira} e me surpreendi com os portões fechados. Não há qualquer aviso aos clientes, destaca o aposentado Délcio Bento. Desde a última segunda-feira não entregamos mais mercadorias para as lojas do Modelo, em Várzea Grande, conta um fornecedor de pães. Procurada, a direção da empresa não explicou os motivos do fechamento das unidades, inclusive, da matriz, loja fundada em 1984 e que deu origem a primeira rede de supermercados 100% mato-grossense. Fornecedores ouvidos pelo Diário contam que o fechamento das duas lojas deve de fato ter pego o próprio grupo de surpresa, já que essa suspensão das atividades foi por força de decisão da Justiça, em favor de um credor, o banco Safra. O que nos passaram é que o banco quer o terreno dessas lojas, que é próprio, em pagamento das dívidas, explicou um fornecedor que por motivos óbvios, pediu anonimato. Ele conta que o clima entre os funcionários é de total desânimo e descrença de que o grupo possa reverter a iminente insolvência financeira. O que a gente ouve é que há dois meses o pessoal está sem receber e cada vez menos empresas estão abastecendo as lojas. Ontem, por exemplo, as lojas da Miguel Sutil e do Coxipó, estavam recebendo as mercadorias que estavam na área de venda do Cristo Rei e do Aeroporto. Em maio, quando o grupo confirmou o fechamento das três lojas em Cuiabá, eles disseram em nota que os funcionários seriam remanejados. Sobre o pessoal lotado em Várzea Grande, o Diário não obteve informações. O CASO Das treze unidades que o Modelo tinha em funcionamento há pouco mais de um ano e meio em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, nove estão fechadas e apenas quatro em funcionamento, as filiais Coxipó, Ponte Nova, CPA 2 e Miguel Sutil. Desde janeiro de 2013, quando a crise financeira se tornou pública em função de ações de arrestos autorizadas pela Justiça, veio a primeira baixa: o Hipermercado Modelo Santa Rosa, que há pouco meses se tornou uma filial da rede Extra. Na sequencia foram fechados o atacado Beira Rio e as filiais no Pantanal Shopping e Rondon Plaza Shopping, essa última em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá). Desde o ano passado, a direção explica que a crise de liquidez que se instaurou no mercado financeiro a partir de 2008 - após o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos - fez com que os bancos parceiros da empresa reduzissem a oferta de crédito, o que provocou alto endividamento e levou à crise financeira e à necessidade de um Plano de Recuperação Judicial. O Plano é considerado vital para o Grupo porque permite a renegociação e o escalonamento das dívidas, e assim, possibilita a retomada da capacidade de investimentos. Mas em novembro ao ano passado, a Justiça suspendeu o plano de recuperação judicial do Grupo, por meio de uma decisão liminar concedida pelo desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) Dirceu dos Santos. Com a liminar concedida pelo desembargador na última quinta-feira, a recuperação judicial deferida em junho pelo juiz Flávio Miraglia Fernandes e o plano de recuperação judicial aprovado em setembro por unanimidade dos funcionários do supermercado e das demais empresas do Grupo, ficam suspensos. No dia 30 de abril, a direção do Grupo apresentou um novo plano de reestruturação, mas ainda aguarda o pronunciamento da Justiça.