O coordenador de Sondagens Industriais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloisio Campelo, afirmou ontem que a redução do Índice de Confiança da Indústria (ICI) de 114,5 pontos em dezembro para 112,8 pontos em janeiro sinaliza que a recuperação do setor manufatureiro que estava sendo ensaiada no final do ano passado foi "tênue" e não teve fôlego suficiente para se manter no primeiro mês de 2011. "A volatilidade desse indicador está relacionada com o aumento de incertezas dos empresários sobre evolução do crescimento do País e da economia mundial neste ano", disse. "Isso pode indicar que a decepção dos dirigentes de empresas é de uma recuperação gradual ao longo dos próximos meses, pois há sinais contraditórios, como o movimento de alta de juros pelo Banco Central (BC) e a perspectiva de que o novo governo vai adotar medidas diferentes para conter a valorização do câmbio e combater concorrência desleal e produtos estrangeiros com ações antidumping", afirmou. De acordo com Campelo, as dúvidas dos empresários sobre as perspectivas econômicas nacionais e internacionais se refletem na sondagem da indústria de transformação em alguns indicadores específicos. A expectativa dos empresários é de queda da produção nos próximos três meses, mas por outro lado eles também têm o sentimento de que vão contratar mais funcionários nesse mesmo período.