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ECONOMIA
Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013, 21h:39

PIMENTEL

Dólar a R$ 2,18 não irá prejudicar as exportações

O ministro Fernando Pimentel considera “bem estruturada” a pauta de exportações do país

DANIEL LIMA, YARA AQUINO e KELLY OLIVEIRA
Da Agência Brasil – Brasília
O dólar a R$ 2,18 não trará prejuízos para as exportações brasileiras, disse ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que considera “bem estruturada” a pauta de exportações do país. “Evidentemente, o real mais desvalorizado ajuda mais, mas não há prejuízo para nossas exportações com essa cotação de R$ 2,18, de R$ 2,20. Há pouco, a moeda americana era negociada a R$ 2,21”, lembrou. Anteontem, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) decidiu manter o programa de estímulo à economia americana, reduzindo a tensão nos mercados e a valorização do dólar. Isso deu alívio ao mercado, que vinha sofrendo com a migração de capital para os Estados Unidos, em busca de rendimento mais seguro. Para Fernando Pimentel, a decisão não deve trazer mudanças significativas para o Brasil. “Acho que não muda. Somos um país atrativo para o investimento internacional. A cada lançamento de títulos brasileiros, a cada oferta que fazemos para concessões, isso fica patente. E não vai mudar. O Brasil é um dos países mais atraentes para o capital internacional hoje e vai continuar sendo.” O ministro ressaltou que a volatilidade (fortes oscilações) dos mercados é geral, ocorre no mundo inteiro e não altera as características de cada país. Segundo ele, o Brasil é um país atraente com seus recursos naturais, pela estrutura de seu mercado, pela oferta de mão de obra, e vai continuar sendo. FED A decisão do Federal Reserve (Fed), Banco Central americano, de manter o programa de estímulos à economia norte-americana surpreendeu o mercado financeiro. Anteontem, o Fed decidiu manter o programa de compra de ativos que irriga o mercado norte-americano com US$ 85 bilhões, em média, por mês. Segundo o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, havia “consenso construído nos últimos meses” que esses estímulos começariam a ser reduzidos neste mês. “A reação do mercado mostra que não era o cenário esperado. O Fed se mostrou mais cauteloso do que se imaginava”, disse. Para Campos Neto, o Fed manteve a “visão de dependência de indicadores”, o que pode gerar volatilidade (fortes oscilações) e especulações de agentes do mercado sempre que houver novas divulgações de dados econômicos. Ele destacou que a decisão de manter os estímulos foi influenciada pela piora em indicadores do mercado imobiliário e de emprego nos Estados Unidos. No Brasil, segundo o economista, a decisão do Fed ajudou a tirar a pressão sobre o real. Ele acrescentou que em junho, julho e em parte de agosto houve exagero no mercado de câmbio, com o dólar atingindo picos de R$ 2,40. Atualmente, no entanto, já havia redução na pressão por alta da moeda. Campos Neto disse que no momento não é possível fazer previsão sobre como ficará a cotação do dólar. Isso porque “os fundamentos da economia brasileira estão piores, com déficit externo muito elevado e piora em indicadores fiscais”. Além disso, ele acredita que em algum momento no futuro o Fed vai anunciar a redução de estímulos. Ele também acrescentou que é preciso esperar para ver se o BC vai fazer alguma mudança nas intervenções diárias que vêm realizando no mercado de câmbio.

Edição EDIÇÃO 16965




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