A quarta Assembleia Geral de Credores (AGC) foi calorosa como o previsto. Depois de muitos embates e uma reunião provocada pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e pecuaristas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, foi aprovada uma proposta diferente da apresentada pelo grupo Frialto. O plano de recuperação judicial do Frialto previa o pagamento do crédito devido em cinco anos, com parcelas trimestrais. Os pecuaristas conseguiram reduzir o prazo para quatro anos, em parcelas mensais, sendo a primeira parcela daqui a 90 dias. Os créditos foram indexados em arrobas de boi. O ganho não foi grande e não era essa forma de pagamento que almejávamos, nas teremos de tomar o remédio amargo da irresponsabilidade de gestão e liberação de recursos por parte dos bancos com cobrança exorbitante de juros, comentou o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari. Ele ainda ressalta que os pecuaristas demonstram maturidade e união e isso fez toda diferença nesse processo de negociação, pois mostramos que temos força e não aceitamos mais imposições por parte dos bancos e dos frigoríficos. Vacari avisa que a Acrimat continua atenta quanto ao cumprimento de todos os planos de recuperação já aprovados nos inúmeros processos e que nosso conselho é que o produtor continue vendendo seu gado somente à vista. Mas o processo do Frialto ainda não chegou ao fim. A homologação da decisão da AGC está nas mãos da Justiça. Isso porque a proposta foi aprovada, no cômputo geral, por apenas 50,24%, dos presentes na AGC. Existe um artigo na lei de recuperação judicial, que cabe ao juiz deliberar sobre a assembleia e avaliar as possíveis falhas. Caso ele não homologue, é decretada a falência do grupo, porém, acredito que o juiz vai acatar a deliberação da maioria dos presentes, mesmo que a aprovação na classe dos credores com garantia real, não tenha atingido a maioria exigida em lei, disse o assessor jurídico da Acrimat, Armando Candia Biancardini. DÍVIDA - O grupo Frialto protocolou o pedido de recuperação judicial na Comarca de Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá), no dia 24 de maio. A dívida soma R$ 95 milhões com 1.203 pecuaristas credores de 12 Estados.