ECONOMIA
Segunda-feira, 04 de Dezembro de 2006, 20h:34
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GÁS DE COZINHA
Botijão a R$ 43 na Capital
Com este reajuste de preços, Mato Grosso se mantém no ranking da ANP com o produto mais caro do Brasil
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), mais conhecido como gás de cozinha, ficou mais caro a partir de ontem em todo o país. No Estado, a correção de preços elevou o valor do botijão de 13 kg para até R$ 43 em Cuiabá e R$ 46 em Alta Floresta. O segundo reajuste do ano é justificado pelas revendedoras como um repasse da alta vigente desde a semana passada nas distribuidoras. O aumento médio ao consumidor é de cerca de 5%. Com estes valores, o botijão comercializado no Estado permanece como o mais caro do país. Conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a média de preços em Mato Grosso é também a maior quando se compara os valores mínimos com o botijão vendido em outros estados. Para se ter uma idéia, enquanto o preço mínimo apurado pela ANP é de R$ 36 no Estado, este mesmo mínimo chega a R$ 28 no Pará, a R$ 29 em Goiás, Ceará e Bahia e a R$ 30 no Amazonas. De acordo com o Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado de Mato Grosso (Siregás), a diferença de preços reflete o custo do frete e as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O presidente do Siregás, José Humberto Botura, acredita que a acomodação dos preços deverá revelar uma cotação de R$ 40 a R$ 42 pelo botijão na Capital. Esta semana ainda não serve de parâmetro. Existem estoques e alguns revendedores podem optar pelos preços antigos até que um novo pedido seja feito. O real impacto do aumento -- que acredito ser de 4% -- só veremos na próxima semana. Botura observa ainda que o mercado revendedor é muito competitivo. Se ontem tinha quem vendesse a R$ 43, certamente este valor não será mantido. O empresário vai ver que o concorrente está com preço mais baixo e vai ter de rever e ceder, explica. MERCADO - De acordo com o Siregás cerca de 400 mil botijões de 13 kg são comercializados ao mês no Estado. Botura explica que o GLP a cada ano apresenta um pequeno incremento fruto do crescimento populacional e aumento do poder aquisitivo do trabalhador. Porém, durante o ano, o consumo é praticamente estável, sem grandes oscilações. Com a alta que vigora desde ontem, Botura não acredita que haja recuo no consumo. A partir da segunda quinzena deste mês há um incremento de cerca de 4% no volume de vendas. Nesta época as pessoas se previnem da falta do produto, justamente durante a confecção da ceia e acabam comprando um botijão reserva. Em contrapartida, no mês seguinte (janeiro) as vendas caem na mesma proporção. O economista Maurício Munhoz, consultor da KGM Soluções Institucionais, que realiza pesquisa mensal de preços da cesta básica em Cuiabá, destaca que o reajuste do GLP terá impacto direto no Índice de Custo de Vida (ICV) de dezembro e representa queda no poder aquisitivo do trabalhador. Em Cuiabá, algumas distribuidoras, até ontem, ainda não haviam aplicado a correção. Ainda estamos vendendo o gás a R$ 38, mas a qualquer momento virá a alta, admite o gerente de um posto de revenda no bairro Verdão, que não quis se identificar. A expectativa dos revendedores é de que o GLP seja vendido em Cuiabá ao preço médio de R$ 42 (Copagaz) e a R$ 41 outras marcas (Supergasbrás, Liquigás e Butano). Na região de Sinop (503 quilômetros ao Norte de Cuiabá), o botijão pode passar para R$ 44 e, em Sorriso (460 quilômetros ao Médio Norte de Cuiabá), R$ 45. Uma das explicações para o reajuste é o desdobramento da alta de 4% nos serviços das engarrafadoras, no mês de novembro. O gás sai das distribuidoras com um preço, mas o valor acaba sendo alterado de acordo com o contrato do comércio revendedor. RANKING - Na semana do novo reajuste do GLP, o preço médio do gás de cozinha em Mato Grosso ainda é o mais alto do país, segundo a ANP. A pesquisa foi realizada entre os dias 26 de novembro e 2 de dezembro e atingiu 555 localidades. Em relação ao Pará, onde o preço médio é de R$ 31,09, a diferença no preço médio chega a ser de R$ 8,35. Em comparação com São Paulo (R$ 30,75, o mais baixo do país), a diferença é de R$ 9,67. (Colaborou Marianna Peres Franco)