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ECONOMIA
Sexta-feira, 18 de Maio de 2007, 21h:15

EFEITO MORALES

Bolívia ameaça não vender à termoelétrica de Cuiabá

Governo brasileiro diz que Bolívia não dá garantias de fornecimento à usina

A ausência de garantia da Bolívia quanto ao fornecimento do volume de gás necessário para a termoelétrica de Cuiabá operar em capacidade máxima abriu uma nova "peleja" bilateral. O governo brasileiro ameaça desautorizar a usina térmica a pagar o preço redefinido em fevereiro passado - de R$ 4,20 por milhão de BTUs -, caso a administração de Evo Morales não se comprometa, por escrito, a manter um suprimento de 2,2 milhões de metros cúbicos diários. Trata-se do volume previsto no contrato da usina com seus fornecedores privados - hoje submetidos às deliberações da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). A situação torna-se crítica à medida que avança o período de seca no Centro-Oeste brasileiro. Nessa época, a usina Mário Covas, em Cuiabá, funciona em plena carga e necessita dos 2,2 milhões de metros cúbicos para gerar 520 megawatts (MW) em ciclo combinado (vapor e gás). A usina responde por 70% da demanda de energia elétrica da grande Cuiabá e é operada pela Empresa Produtora de Energia (EPE). "Concordamos em aumentar o preço do gás, desde que fosse mantido o fornecimento do volume previsto no contrato. Agora, a Bolívia nos diz que está com dificuldades para garantir essas remessas", afirmou uma fonte próxima ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Insistimos que a Bolívia tem de garantir os 2,2 milhões de metros cúbicos diários para que possamos pagar os US$ 4,20. Se não há como garantir o volume, não há como garantir o preço." O novo imbróglio com a Bolívia vem a se somar à expropriação do fluxo de caixa das duas refinarias de petróleo da Petrobras no país, determinada no dia 6 pelo presidente boliviano, Evo Morales. Essa iniciativa levou a Petrobras a optar pela sua retirada completa desse setor, com a venda das unidades por US$ 112 milhões para a YPFB, em duas parcelas. A nova peleja confronta-se também com o acordo fechado em fevereiro passado, durante a visita de Evo ao presidente Lula. Na ocasião, a delegação boliviana obteve o aval do governo brasileiro para a elevação do preço do gás fornecido à térmica de US$ 1,19 para US$ 4,20 por milhão de BTU (unidade térmica britânica usada para medir o volume de gás). Evo Morales conseguiu extrair também do governo Lula um reajuste disfarçado para o volume de 26 milhões de metros cúbicos ao dia que a Bolívia envia à Petrobrás, no Brasil. O acordo previu que o gás metano continuaria com o preço anteriormente fixado - de US$ 4,20 por milhão de BTU. Mas os gases e líquidos com maior valor calorífico, que também escoam pelo Gasoduto Brasil-Bolívia, seguiriam a cotação internacional. Nas contas do governo boliviano, esse cálculo significará o pagamento adicional de US$ 100 milhões pela Petrobras à Bolívia neste ano. (Colaborou: Denise Chrispim Marin)

Edição EDIÇÃO 16959




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