ECONOMIA
Terça-feira, 06 de Julho de 2010, 21h:06
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CONSUMO
Baixa renda deve registrar nova deflação
A queda esperada para julho será menos intensa do que a apurada em junho, mas também deve ser creditada à redução em preços de produtos alimentícios, como o feijão
JACQUELINE FARID e FLAVIO LEONEL
Da Agência Estado - Rio
O Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), que mede a inflação para os consumidores com renda de até 2,5 salários mínimos, deverá prosseguir em deflação em julho, após a variação negativa de 0,38% em junho, segundo acredita o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz. Segundo ele, a queda esperada para julho será menos intensa do que a apurada em junho, mas também deve ser creditada à redução em preços de produtos alimentícios como feijão, leite e alimentos in natura. Apesar do recuo ocorrido em junho, Braz ressalta que o poder de compra das famílias de baixa renda foi bastante afetado pela inflação no primeiro semestre, quando o IPC-C1 acumulou uma alta de 4,78%. Os alimentos responderam, sozinhos, por 60% dessa alta Braz exemplifica que a elevação dos produtos alimentícios no primeiro semestre, no âmbito do IPC-C1, foi puxada por produtos como leite longa vida (25,11%), feijão carioca (63,65%), açúcar cristal (20,57%) e batata inglesa (20,49%). Em junho, a maior parte dos alimentos inverteu o sinal e garantiu a deflação no índice. De acordo com Braz, a exclusão dos alimentícios da taxa levaria a uma inflação de 0,27% no mês. "O peso dos alimentos é muito grande nas despesas dessas famílias, quanto menor a renda, maior o peso desses produtos", explica. Braz explicou também que a forte alta registrada no grupo de despesas diversas (1,69% em junho, ante -0,16% em maio) refletiu o aumento nos preços dos cigarros. POPULAÇÃO RICA A taxa de inflação para a população de maior poder aquisitivo foi ligeiramente mais alta do que a verificada para a população de menor renda em São Paulo. De acordo com levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) por meio do Índice do Custo de Vida (ICV), enquanto a variação média do indicador foi de 0,02% no município e atingiu o menor resultado desde a deflação de 0,03% de fevereiro de 2008, o indicador específico para os mais ricos registrou taxa positiva de 0,05% e o que engloba o custo de vida dos mais pobres apresentou variação de 0,01% no mês passado. Além do ICV geral, o Dieese calcula mensalmente mais três indicadores de inflação, segundo os estratos de renda das famílias da capital paulista. O primeiro grupo corresponde à estrutura de gastos de um terço das famílias mais pobres (com renda média de R$ 377,49) e o segundo contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média de R$ 934,17). Já o terceiro reúne as famílias de maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792,90). Além da taxa próxima da estabilidade observada em junho em todos os níveis, o Dieese destacou que a desaceleração da alta da inflação também foi bastante parecida entre os estratos no mês passado.