ECONOMIA
Sábado, 02 de Agosto de 2008, 13h:56
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CARNE
Alta fecha churrascarias
Inflação exige jogo de cintura e criatividade dos empresários. Quem não reajustou, fechou e clientes ficam com menos opções
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A alta nos preços da carne nos últimos meses impôs baixas ao setor de restaurantes e churrascarias. Em Cuiabá, muitas casas não suportaram a alta de até 60% nos preços da carne e fecharam as portas, como a Fornari, no Shopping Pantanal, e a Paçoca de Pilão, no centro. Outras mudaram o foco de atuação ou simplesmente decidiram repassar a alta nos preços das refeições. O sistema mais atingido foi o de rodízio, onde o repasse para o consumidor ficou entre 7% e 16%. Não pudemos repassar a alta integralmente, pois precisamos manter o nosso movimento e os clientes, explica Lindomar Luiz Siss, gerente da churrascaria Boi Grill. A alta foi a menor entre as chamadas churrascarias classe A: 7,16%. Com o reajuste, o preço do rodízio no almoço aumentou de R$ 27,90 para R$ 29,90. No jantar, o rodízio passou para R$ 18,90, contra os R$ 17,90 dos últimos seis meses. Estamos segurando os preços para manter a nossa clientela, que tem se mostrado muito fiel à nossa churrascaria, explica Lindomar, que está tentando negociar melhores preços com os fornecedores para evitar novas altas. Apesar do pequeno repasse que fizemos o consumo aumentou porque o nosso atendimento é ótimo, frisa o gerente. A churrascaria Boi Bão, em Várzea Grande, também foi obrigada a mexer nos preços do rodízio para continuar funcionando. Bem que os proprietários tentaram, mas a alta foi inevitável. Fizemos o possível para segurar [os preços], afirma Venilda Salva, uma das proprietárias. Com o reajuste, os preços do rodízio no almoço e no jantar passaram, respectivamente, de R$ 18,90 e R$ 13,90 para R$ 21,90 e R$ 15,90. No caso do almoço, a majoração foi de 15,58%. Os preços da carne realmente dispararam e tivemos de fazer este pequeno ajuste, conta Venilda, lembrado que em junho chegou a pagar R$ 11 no quilo da alcatra com picanha e, esta semana, o preço subiu para até R$ 20. Os nossos preços sempre foram os melhores e ainda estamos segurando novos reajustes para manter a casa funcionando com a mesma clientela. Apesar da alta, segundo ela, o consumo na churrascaria não registrou queda nos últimos dias. Uma das churrascarias mais freqüentadas da cidade, a Recanto Gaúcho, foi a que repassou a maior alta nos preços do rodízio: 16,06% para as refeições servidas no almoço, que custa hoje R$ 28,90, contra R$ 24,90 no mês de junho. No caso do jantar, a alta foi de 26,84%, com os preços passando de R$ 14,90 para R$ 18,90. De acordo com Luiz Fraporti, proprietário da churrascaria, a alta foi conseqüência direta dos reajustes nos preços da carne (todos os cortes) e de outros produtos da alimentação, como arroz, feijão, óleo de soja e verduras. Na primeira semana da alta os clientes estranharam, mas logo se acostumaram porque também perceberam que tudo subiu nas últimas semanas. A churrascaria Rio-grandense foi obrigada a cortar o desconto de 30% nos preços do rodízio para estudantes e profissionais liberais. Com o corte, o rodízio no almoço se manteve em R$ 29,90 e, no jantar, R$ 26,90. Não deu para segurar [o preço] porque os aumentos da carne foram sucessivos. Além disso, outros produtos da alimentação também aumentaram nas últimas semanas, justifica o gerente Sidnei da Rosa. A Majestic, que antes era churrascaria, hoje é buffet livre. Mudamos nosso sistema por causa da alta da carne, diz o proprietário, José Francisco Freire. Agora, ao invés de servir rodízios com 22 tipos de carnes diferentes o restaurante passou a disponibilizar o sistema self service, R$ 11,90 no almoço.