ECONOMIA
Segunda-feira, 05 de Julho de 2010, 20h:19
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COMÉRCIO
Adiada adesão à unificação dos cartões
A mudança no mercado, em vigor desde o dia 1º, permite que um terminal processe compras de todas as bandeiras. No primeiro fim de semana, a adesão foi pequena
PAULA PACHECO e LEONARDO GOY
Da Agência Estado - São Paulo
Apesar do esforço de Cielo e Redecard para divulgar a unificação das máquinas de cartões de crédito e débito, os comerciantes ainda estão cautelosos. A mudança no mercado, em vigor desde o dia 1º, permite que um terminal processe compras de todas as bandeiras. No primeiro fim de semana, a adesão foi pequena. "Preferimos esperar para ver se a novidade consegue suportar tanta demanda", explica Andreia Bessa, diretora da rede Lojão do Brás. MÁQUINAS No Brasil há 1,5 milhão de estabelecimentos que alugam 5 milhões de máquinas. Márcio Rangel, master franqueado da Empada Brasil no Estado de São Paulo, com 25 lojas, está animado com a possibilidade de reduzir as despesas. "Diminuir o custo mensal será ótimo. Mas precisamos ter a certeza que poderemos assegurar o funcionamento do equipamento", afirma. ADESÃO A Armarinhos Fernando, com 14 lojas, não aderiu completamente à unificação das máquinas. "Fim de semana é quando vendemos mais. Não dá para correr o risco de deixar o cliente na mão", informa o gerente geral Ondamar Antonio Ferreira. Roberto Medeiros, presidente da Redecard, acredita que o período de desconfiança seja passageiro. "Estamos operando desde a meia noite do dia 1º sem problemas", garante. OPORTUNIDADE Para Maria Inês Dolci, presidente da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), a mudança pode ser uma oportunidade para o comércio acabar com a diferença entre o pagamento com dinheiro e com o cartão. "Se os custos vão baixar com o uso de menos máquinas, a vantagem deve ser repassada para o preço", explica. Presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias acredita que haverá mais vantagens financeiras para os comerciantes à medida que eles migrarem mais operações para a empresa. "Os descontos estão associados ao volume de transações que vamos operar." OTIMISMO O otimismo do consumidor brasileiro com a situação geral da economia manteve-se estável, porém em patamar elevado, em junho perante maio, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). No mês passado, o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), calculado pela entidade em parceria com o Ibope, totalizou 114,7 pontos, ficando 0,1% acima dos 114,6 pontos verificados em maio. Na comparação com junho do ano passado, quando o Inec foi de 110,3 pontos, o avanço foi de 4,1%, Além disso, a pontuação de junho de 2010 indica que o Inec está 5,6% acima de sua média histórica. O Inec é calculado com base nas expectativas dos consumidores em relação a seis variáveis da economia: inflação, desemprego, renda pessoal, situação financeira, endividamento e compras de bem de maior valor. Desses seis itens, em quatro houve melhora das expectativas de maio para junho. O principal destaque vai para a percepção dos consumidores quanto à inflação. Segundo a CNI, a expectativa de que a inflação vai cair subiu 1,7% de um mês para o outro. O índice que mede a situação financeira individual subiu 1,3% de maio para junho e o que mede a redução do endividamento aumentou 1%. Também houve otimismo com relação à expectativa da renda pessoal, cujo indicador subiu 0,7% de um mês para o outro. As quedas de maio para junho foram verificadas nos índices que medem ao desemprego (-3%) e a expectativa de compra de bens de maior valor (-0,8%).