CIDADES
Sexta-feira, 03 de Julho de 2015, 20h:35
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ASSÉDIO NA ESCOLA
Uma denúncia por mês
Em um ano, a Seduc instaurou 12 procedimentos administrativos para investigar a conduta de professores
YURI RAMIRES
Da Reportagem
Em um ano, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) instaurou 12 procedimentos administrativos para investigar a conduta de professores da rede pública acusados de assédio sexual. Crimes como esse estão vindo à tona após a denúncia das supostas vítimas, na última semana, em menos de 24 horas, dois educadores foram presos pela Polícia Civil. De acordo com as informações da Seduc, os casos foram instaurados entre 2014 e 2015. Todas as ocorrências aconteceram em cidades diferentes do Estado. Sendo assim, é possível afirmar que no período de 12 meses, ao menos um caso por mês chegou ao conhecimento das autoridades seja por meio de denúncias por parte das vítimas e de parentes. As investigações estão em fase de instruções, ou seja, testemunhas estão prestando depoimento para aprofundar e fundamentar os casos. Os professores estão todos afastados até que os procedimentos sejam finalizados, disse. Além dos procedimentos do Estado, há ainda o registro da prisão de sete professores. Duas delas aconteceram em menos de 24 horas, uma em Cuiabá e outra em Campo Novo do Parecis. O caso na Capital envolve uma denúncia anônima que relatava que o suspeito Adriano Knippelberg de Moraes, professor de História, ofereceria encontros sexuais em troca de notas às alunas, que tinham entre 15 e 17 anos. Adriano foi preso na terça-feira (30), ele ministrava aulas no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). Ele confessou ter mantido relações com duas meninas, mas com o consentimento delas. O professor é casado e pai de um filho. Já Demerval Pires Gaspar, 56 anos, foi denunciado em outubro do ano passado por uma estudante, mas por falta de prova, não foi incriminado. Porém, no dia 29 de junho foi preso em Campo Novo, suspeito de molestar ao menos nove alunas com idades entre 8 e 12 anos. Segundo o delegado responsável pelo caso, ele acariciava as alunas atrás de sua mesa, na própria sala de aula. Casos como esses colocam em cheque a autoridade que o professor passa aos estudantes, uma vez que no caso do professor de IFMT, por exemplo, a polícia explicou que ele deixava claro que se aceitassem os pedidos, as estudantes ganhariam benefícios. E ao que se vê o único benefício que ele poderia dar, na atual condição entre professor e aluno, eram melhores notas, lembrou a polícia. Para os investigadores, os casos podem ser maiores, tendo em vista que muitas vítimas se sentem amedrontadas e não denunciam as ações. No entanto, as denúncias podem ser feitas de forma anônima, por isso, é essencial que os casos sejam delatados.