CIDADES
Segunda-feira, 28 de Julho de 2008, 21h:08
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SINOP
Um assassinato covarde
Rapaz que morreu algemado em poder da polícia não tinha
antecedentes criminais; soldado é considerado foragido
ROSANI TRINDADE
Da Reportagem
O pedreiro Tiago Maurício Rodrigues dos Santos, de 21 anos, morto por um policial militar dentro de uma delegacia em Sinop, não tinha antecedentes criminais. Ele morreu no sábado, após ser espancado pelo soldado Evanildo da Silva Moreira Lopes, 26. O comando da PM considera o policial foragido. O laudo que vai apontar a causa da morte deverá ser apresentado ainda hoje pelo Instituto Médico Legal (IML). O espancamento ocorreu dentro da Delegacia Municipal. As hipóteses são de que Tiago teve traumatismo craniano e parada respiratória. O laudo deve apontar se o corpo apresentava outras lesões. O pedreiro estava algemado quando foi agredido pelo soldado, que não estava de plantão. De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, o PM invadiu a sala em que Tiago estava detido, afirmando que tinha acabado de sofrer uma tentativa de homicídio e que o autor dos disparos era Tiago. Segundo testemunhas, em um momento de raiva entrou rapidamente onde estava a vítima e desferiu golpes contra o rapaz. O PM José DallAcqua teria conseguido tirar Evanildo da sala. Em seguida, os policiais levaram o rapaz para o pronto-atendimento, mas ele não resistiu. O advogado do soldado esteve ontem na delegacia e afirmou que Evanildo deve se entregar ainda esta semana. Tiago e o irmão dele, Dione Rodrigues dos Santos, tinham sido presos por suspeita de terem efetuado disparos contra o soldado, horas antes. Eles também seriam suspeitos de ter assaltado um policial, mas a família contesta esta versão. A suposta arma que o pedreiro teria usado não foi encontrada. Ele andava de carro com o irmão quando foi abordado, algemado e preso, por volta de 23h de sábado. Dione contou à polícia que ele e o irmão foram abordados pelos policiais e levados para delegacia. Como eles estavam com cerveja no carro, acreditaram que seriam levados para fazer um teste com o bafômetro. O velório e enterro de Tiago no domingo foram marcados pela emoção. Malvina Correa Rodrigues dos Santos, mãe de Thiago, não se conformava com o que aconteceu. Segundo nota enviada pela Polícia Militar à imprensa, outros dois policiais foram afastados. Será instaurado um procedimento administrativo que irá apurar o caso. Evanildo trabalha na Polícia Militar desde 2003. O comandante geral da Polícia Militar, coronel Antônio Benedito Campos Filho, afirmou que a corporação jamais irá se furtar a efetuar a prisão de policiais que não sigam os preceitos previstos pela Constituição. A exemplo de outros casos envolvendo policiais que se envolveram em crime, estamos trabalhando para localizá-lo e prendê-lo. A polícia Civil também abriu inquérito para investigar a morte. Tiago era casado e tinha um filho de 3 anos.