CIDADES
Quarta-feira, 03 de Março de 2010, 21h:44
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EM ALERTA
UFMT teme uso de trote violento aos calouros
Aluno que se sentir coagido ou sofrer agressão pode registrar queixa pelo telefone
ALECY ALVES
Da Reportagem
O ano letivo começa hoje na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT) com as atenções redobradas aos trotes. O temor é que atos violentos na recepção dos novos alunos, semelhantes aos que a mídia vem mostrando em nível nacional nos últimos dias possam se repetir aqui. Este ano, a instituição criou uma rede de prevenção com serviços de monitoramento, disque-denúncia e as tradicionais atividades educativas, culturais, além de debates sobre política-econômica e outros temas. O aluno que se sentir coagido a participar ou sofrer agressão física, moral ou psicológica, avisa o pró-reitor de Cultura, Extensão e Vivência, Fabrício Carvalho, poderá registrar sua queixa pelo telefone 3615-8065 sem que tenha que se identificar. O mesmo vale para os pais, professores, servidores ou qualquer cidadão que testemunhar ou tomar conhecimento da prática de trotes. Conforme o Pró-reitor, os seguranças da universidade estão orientados a comunicar, via rádio, todo tipo de trote, desde aqueles considerados mais simples como raspar cabeça, pintar o corpo, caminhar amarrado em cordas até o conhecido passo do elefantinho(em fila segurando uns ao outros pelas mãos entre as pernas). Se o trote estiver acontecendo, os seguranças do campus e membros da Procev irão até o local apurar. Se a denúncia se referir ao trote que já ocorreu, a universidade abrirá procedimento investigatório, explicou Carvalho. Fabrício Carvalho admite que há riscos de recepções agressivas, como algumas registradas na própria UFMT em anos anteriores e em outras faculdades cuiabanas, como na Unic, onde há duas semanas um calouro do curso de Medicina Veterinária, rapaz de 17 anos, teria sido obrigado a consumir bebida alcoólica ao ponto de precisar de atendimento médico-hospitalar. Carvalho observou que por mais simples que possam ser consideradas as brincadeiras podem terminar em ocorrências graves que põem em perigo a vida do estudante. Ano passado, citou, um jogo de futebol onde os novos alunos se vestiam de mulher, tido como uma brincadeira habitual organizada pelos veteranos da Faculdade de Engenharia Florestal, levou quatro estudantes ao hospital por consumo excessivo de álcool. O problema é que começam como diversão e terminam em exageros, assinalou. Ele observa que nenhum aluno deve se submeter aos trotes por medo de se recusar a participar. De acordo com Fabrício Carvalho, logo nos primeiros meses de faculdade o calouro que não aceitou ou denunciou entenderá que agiu corretamente ao conhecer a reputação dos autores das manifestações agressivas. Os que lideram esses atos não são bons alunos, reprovam, faltam aulas e têm conceito ruim, completou. A coordenadora de Comunicação do Diretório Central dos Estudantes(DCE), Marina Salomé, disse que a entidade não defende nenhuma forma de trote agressivo e trabalha com recepções diversificadas, que consistem na apresentação da universidades com seus serviços e dificuldades. A resolução 18, de dezembro de 2005, aprovada pelo Conselho Universitário(Consuni), proíbe os trotes e prevê penalidades que vão desde advertência até a expulsão do aluno. Além de exigência de punição na instituição de ensino, o aluno pode prestar queixa contra os agressores na polícia.